Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Prefeitura de SP vai apurar queda de passarela na Marginal do Tietê; via está liberada

Acidente deixou dois feridos e atingiu quatro veículos; passarela fazia parte de estrutura de apoio da obra da Ponte Pirituba-Lapa, realizada por um consórcio das empresas EIT e Constran

Gilberto Amendola, Isabela Palhares e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 19h46
Atualizado 15 de novembro de 2019 | 16h17

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo abrirá uma apuração interna na próxima segunda-feira, 18, para apurar a queda de uma passarela das obras da Ponte Pirituba-Lapa, na noite de quinta-feira, 14, na Marginal do Tietê, no sentido da Rodovia Castello Branco.

O acidente deixou dois feridos, com escoriações leves, e atingiu quatro veículos. O trânsito em parte da via ficou bloqueado por sete horas até ter parcialmente liberado às 2 horas desta sexta-feira, 15. Todas as pistas da via voltaram a funcionar normalmente às 4h38.

A queda ocorreu por volta das 19 horas em um trecho entre a Ponte do Piqueri e umas das alças de acesso à Rodovia Bandeirantes, na capital paulista, atingindo dois ônibus, um carro e um caminhão. As obras da Ponte Pirituba-Lapa são executadas pelo Consórcio Ligação Viária Lapa-Pirituba, das empresas EIT e Constran, que disse lamentar o caso e que também que vai apurar as causas do acidente. 

Segundo o secretário municipal de Segurança Urbana, coronel José Roberto Rodrigues de Oliveira, perícia esteve no local e irá apontar as causas da queda. “Tivemos chuva forte e vento na cidade, mas o laudo vai esclarecer o que houve." A Defesa Civil também aguarda o resultado da perícia para se manifestar sobre as causas da queda da passarela.  

Além dos dois ônibus atingidos, um carro de passeio ficou bastante danificado na queda da estrutura, com afundamento do teto. Os feridos, que estavam em um dos automóveis, foram para o Pronto-Socorro de Pirituba, na zona norte. 

Todas as faixas no sentido Castello chegaram a ser interditadas, o que travou o trânsito na região, já congestionado por causa da saída de veículos na véspera do feriado da Proclamação da República e da chuva. Às 23 horas, máquinas e homens trabalhavam no corte da estrutura, visando a retirá-la de cima dos veículos para a liberação total da pista, o que não tem previsão para ocorrer. 

'Balançou uma vez e caiu em cima do ônibus', conta passageira

As amigas Márcia Lima, de 46 anos, e Marinalva Muniz, de 43, viajavam na primeira fileira de um dos ônibus atingidos pela queda da passarela. Márcia contou que chovia no momento do acidente e que chegou a ver o momento em que estrutura caiu. “Olhei pela janela e vi a passarela balançando. Balançou uma vez pra lá e na volta já caiu em cima do ônibus”, disse ela ao Estado enquanto aguardava, na Marginal, a retomada da viagem.

Ela e a amiga viajavam para Brasília, percurso de 12 horas, para passar o feriado. Marinalva se assustou com o grito que a amiga deu ao perceber a iminência do acidente. “Vínhamos conversando e a maioria já estava dormindo. Foi um grande susto." Nenhuma das duas sofreu qualquer ferimento. 

O consultor de vendas Elias Martins, de 27 anos, viajava de volta para Uberlândia (MG) no mesmo ônibus após um período de visita a parentes na capital paulista. O descanso na viagem iniciada no terminal do Tietê foi interrompido pelo estrondo da queda. “Foi um barulho muito alto e vimos o teto amassado, por onde começou a entrar água. Quando aconteceu, não sabia a gravidade, não sabia se alguém tinha morrido ou não."

Os passageiros ficaram no veículo por cerca de uma hora e meia até poderem desembarcar em segurança. Por volta das 23 horas, parte deles aguardava perto do local do acidente até que a empresa mandasse veículo reserva, um tempo de espera que Martins prefere não calcular. “Não temos previsão, mas não estou preocupado. Só de não ter acontecido nada grave já temos de agradecer a Deus." 

No primeiro lugar da fila de espera pela liberação da pista está o ônibus dirigido por José Maria Correia, de 57 anos, com destino a Mococa (SP). Ele vinha um pouco atrás dos veículos atingidos e, no fim da noite, aguardava pacientemente o desbloqueio da pista. A cabine ficou cheia de passageiros que acompanhavam os trabalhos dos operários na retirada da estrutura. A viagem antes prevista para durar 4h30 agora não tem prazo para terminar.  "Tem de ter paciência”, disse.

Estrutura foi colocada por causa de obra de Ponte Pirituba-Lapa

A passarela é parte da construção da Ponte Pirituba-Lapa conduzida pelo Consórcio Ligação Viária Lapa-Pirituba (formado pela empresas EIT / Constran), e sob a coordenação da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb). A execução das obras de ligação Pirituba-Lapa também inclui o melhoramento viário na Av. Raimundo Pereira de Magalhães e Rua John Harrison, incluindo a criação de passagem subterrânea sob a Linha 8 – Diamante da CPTM, próximo ao cruzamento da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães com a Rua Gago Coutinho.

O valor do contrato, englobando as obras viárias e de drenagem é de R$ 200 milhões. Além desses valores, também são previstos gastos com desapropriações, enterramento de redes, compensações ambientais, gerenciamento e fiscalização da obra. Com isso, a estimativa de valor total do empreendimento R$ 386,5 milhões. A obra do projeto, que tem a promessa de desafogar o trânsito na região, foi iniciada neste ano. 

São Paulo enfrenta problemas com pontes e viadutos

No último ano, São Paulo tem enfrentado uma série de problemas pela falta de manutenção nas pontes e viadutos da cidade. Em 15 de novembro do ano passado, um viaduto na pista expressa da Marginal Pinheiros, perto do Parque Villa-Lobos, no sentido Castello Branco, cedeu 2 metros - cinco veículos passavam pela via no momento e ficaram danificados. Apenas uma pessoa ficou levemente ferida. Cerca de dois meses depois, em janeiro deste ano, a ponte que liga a Marginal Tietê à rodovia Presidente Dutra foi interditada por problemas na estrutura. 

A queda do viaduto fez a Prefeitura iniciar uma vistoria nas pontes e viadutos de toda a cidade - até agora 126 de 222 estruturas foram analisadas. O levantamento resultou em oito obras emergenciais e outras cinco obras estão em andamento. A ação já custou R$ 37,9 milhões. 

Nesta quarta-feira, 13, a Prefeitura divulgou o balanço do primeiro ano de vistorias. Na ocasião, o prefeito Bruno Covas (PSDB) disse que, mesmo antes da queda do primeiro viaduto, administração já tinha "percebido parte do problema" e estava há um ano discutindo com o Tribunal de Contas do Município como contratar laudos para as pontes e viadutos apontados em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público em 2007.

A Prefeitura anunciou, também nesta quarta, que lançaria um terceiro lote de avaliação de mais 18 locais. Informou ainda que pretende terminar de avaliar todas as estruturas até 21 de dezembro.

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