Passageiros se queixam da pouca estrutura

Quem se acostumou ao gigantismo e às comodidades dos grandes aeroportos pode estranhar a simplicidade dos terminais do interior paulista. A maioria deles foi criada para ser aeroclube e não possui nem monitores para informar horários de voos.

Bruno Tavares e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2011 | 00h00

Anos atrás, essa falta de estrutura passava despercebida. Mas o aumento da demanda trouxe passageiros mais exigentes, que querem facilidades disponíveis nos terminais das grandes cidades. "Já fiquei preso em Ribeirão Preto por seis horas por causa de chuva. Só que aqui nem a internet funciona direito", conta o gerente de vendas Marcelo Fragoso, de 56 anos.

Ele foi um dos prejudicados pela restrição de voos no mês passado no Aeroporto de Ribeirão. Por uma semana, entre os dias 15 e 21 de janeiro, os pousos e decolagens foram suspensos quando chovia. O motivo foi o excesso de borracha na pista, o que a tornava escorregadia com a chuva. O Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), responsável pela administração dos aeroportos do interior paulista, não possui equipamento para a remoção da borracha e teve de contratar uma empresa para realizar o serviço.

Embora reconheçam deficiências, sobretudo na estrutura oferecida aos passageiros, especialistas consideram que os terminais têm condições de absorver o crescimento dos voos regionais. "São aeroportos bons e seguros", afirma Ronaldo Jenkins, do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea).

Para o engenheiro aeronáutico Jorge Leal Medeiros, professor da Escola Politécnica da USP, os aeroportos do interior devem ser tratados como "vetores de desenvolvimento" dessas regiões. "O custo para modernizá-los é relativamente baixo, vale a pena investir", avalia.

O Código Brasileiro de Aeronáutica estabelece que todos os aeroportos são monopólio da União, mas permite a indicação de administradores. Em São Paulo, a gestão dos terminais é feita pelo Daesp, autarquia subordinada à Secretaria dos Transportes.

No ano passado, o governo de São Paulo encaminhou ao Ministério da Defesa um plano de concessão à iniciativa privada dos 30 aeroportos que controla. Segundo o Daesp, as receitas auferidas hoje com a cobrança de taxas e a concessão de áreas comerciais "não são suficientes para cobrir as despesas de custeio e investimentos" nesses aeroportos.

O Ministério da Defesa disse que caberá à presidente Dilma Rousseff autorizar a operação. Atualmente, o único terminal do País concedido à iniciativa privada é o de São Gonçalo do Amarante, em Natal.

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