Nestor Muller-GZ
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Passageiros queimam 4 ônibus, depredam 20 e fecham rodovia

Tumulto ocorreu em terminal rodoviário de Cariacica (ES) por causa de atrasos causados por greve de funcionários

Ernesto Batista ESPECIAL PARA O ESTADO / VITÓRIA, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2010 | 00h00

Revoltados com a demora para embarcar nos coletivos que saíam do Terminal de Campo Grande, em Cariacica (ES), cerca de 500 manifestantes interditaram ontem a BR-262, queimaram quatro ônibus e depredaram outros 20. Na confusão uma mulher foi ferida por uma pedra e levada para o hospital. Os atrasos foram provocados pela greve dos rodoviários da Grande Vitória, que pedem 30% de reajuste. A paralisação dura três dias.

No final da manhã, a polícia tinha prendido 10 pessoas envolvidas no quebra-quebra e os coletivos haviam sido recolhidos às garagens das empresas.

O tumulto durou cerca de cinco horas. À tarde a situação ficou mais calma e 50% da frota voltou a circular conforme determinou a Justiça Trabalhista. O dissídio da categoria só vai ser julgado na próxima sexta-feira.

O tumulto começou por volta das 7h depois que um motorista discutiu com passageiros por causa da greve. Primeiro, a multidão apedrejou um ônibus, depois atravessou outro ônibus na BR-262, tentou virar o coletivo e ateou fogo no veículo.

Outros três ônibus também foram incendiados próximo ao local e 20 danificados por pedras e paus. Um deles foi apedrejado e incendiado na porta de uma empresa de ônibus. As instalações do Terminal de Campo Grande também sofreram danos durante o tumulto.

O repositor Paulo Silva Cardoso estava no terminal quando a confusão começou. "Eu já estava na fila há duas horas e meia quando houve uma discussão. As pessoas ficaram revoltadas e começaram a apedrejar um ônibus. Os próprios usuários colocaram fogo", disse.

Chegou-se a divulgar a informação de que o quebra-quebra teria começado por ação dos próprios rodoviários, mas o representante do Sindicato dos Rodoviários capixaba, Edson Bastos, desmentiu a informação. "Não houve participação de rodoviários no que aconteceu. Estamos dispostos a cumprir a determinação de circular com 50% da frota", garantiu.

Tropa de choque. O Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar capixaba enviou cerca de 80 homens da tropa de choque para conter o distúrbio e usou balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar a multidão.

O Grupo de Operações Táticas (GOT) da Polícia Civil também foi deslocado para o local e começou a prender os acusados de liderar o tumulto.

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