Passageiros quebram trem da CPTM após falha

Confusão foi na Linha 12-Safira, na zona leste, onde usuários andaram pelos trilhos e PM usou bombas; 5 pessoas se feriram e 4 foram detidas

ARTUR RODRIGUES , BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2012 | 03h04

Uma falha em um trem fez passageiros andarem nos trilhos e causar tumulto na Linha 12-Safira da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) ontem. A paralisação durou quatro horas. O tumulto deixou pelo menos cinco pessoas feridas e quatro detidas. Presos nos trens, milhares de passageiros quebraram vagões para sair, danificando três composições.

A maior confusão aconteceu na Estação Comendador Ermelino, por volta das 8 horas. Mas, segundo a Polícia Militar, outras paradas próximas, como Engenheiro Goulart e USP Leste, também tiveram problemas. Segundo a CPTM, um trem que seguia no sentido Brás apresentou falha na tração na Estação Engenheiro Goulart e foi retirado de circulação às 6h05. Por causa do excesso de usuários, segundo a companhia, outro trem não conseguiu partir no mesmo sentido, por volta das 7h30.

Só em Ermelino Matarazzo havia quatro trens parados, segundo passageiros. "Ficamos lá dentro sem ar-condicionado, sem nada. Não é a primeira vez que isso acontece. Esse governo precisa botar mais trens", disse o impermeabilizador Everaldo Oliveira Lima, de 38 anos. Segundo ele, pelo sistema de som, a única informação dada era que a composição aguardava a movimentação do trem à frente. Revoltados, os passageiros saíram dos trens e começaram a apedrejar policiais militares que foram chamados para conter o tumulto.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que seria feita uma reunião ainda ontem para melhorar o sistema de comunicação com os usuários, explicando a causa das falhas e a previsão de solução do problema. "Vamos fazer um grande trabalho de comunicação para as pessoas não descerem na linha", diz.

Quem estava no meio do tumulto reclama de violência policial. "Jogaram gás de pimenta e fiquei com falta de ar. Havia pessoas inocentes, mulheres, crianças", disse a doméstica Niedja da Silva, de 20 anos.

A PM se defende das acusações. "Jogamos bombas e demos tiro de balas de borracha para defender os policiais que estavam sendo apedrejados", diz o capitão Marcelo de Freitas. Segundo ele, a própria equipe da CPTM deteve suspeitos de vandalismo e agressão. No corre-corre, houve gente com falta de ar, causada pelas bombas jogadas pela PM e por extintores de incêndio acionados pelos passageiros.

A auxiliar de limpeza Ana Maria dos Santos, de 42 anos, precisou imobilizar a perna, por causa de uma luxação. "Eu não caí no trilho do trem, me jogaram", afirmou. "Fui procurar apoio, mas começaram a depredar", afirmou, antes de ser encaminhada para atendimento em um hospital da região pelo Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu).

Transtornos. Após a confusão, a população ainda teve de esperar para obter as passagens de volta. Mesmo com o bilhete na mão, a embaladora Vera Lúcia Silva, de 52 anos, não sabia como chegaria ao trabalho. "Essa passagem não é aceita nos ônibus e o trem está parado. Precisava mesmo é do meu dinheiro de volta", disse.

Às 11h15, os trens voltaram a circular, mas a Estação Comendador Ermelino permaneceu fechada até as 17h15. Enquanto a parada não era reaberta, os passageiros eram atendidos por ônibus gratuitos entre as Estações USP Leste e São Miguel.

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