Passageiros aderem a associação e cobram indenização do Metrô

Associado diz que grávida não dorme desde o dia do acidente; já metroviários fazem ato e criticam a segurança da Linha 4

ARTUR RODRIGUES , CAMILA BRUNELLI , O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2012 | 03h05

Passageiros que estavam no trem do Metrô que bateu em outra composição da Linha 3-Vermelha, na quarta-feira, estão unindo forças para processar a companhia. Mais de 50 usuários já aderiram à criação de uma associação com objetivo de conseguir indenizações na Justiça.

O advogado do grupo, Ademar Gomes, afirma que pedirá quantias diferentes para cada uma das vítimas do acidente, dependendo dos danos sofridos. "O Metrô será processado por danos físicos e morais", disse.

O vendedor Reginaldo Lopes, de 35 anos, afirma que estava no metrô na hora do acidente. "Rompi o tendão da mão direita. Terei de ficar 15 dias sem trabalhar por causa disso", afirmou. Outra pessoa que procurou o advogado, mas não quis identificar-se, disse querer processar o Metrô porque a mulher, grávida de 6 meses, estava no trem na hora do acidente e depois disso não consegue mais dormir.

O Metrô informou que tem um seguro para pagar indenizações a pessoas que entrem com ações na Justiça. Na quarta-feira de manhã, 49 pessoas se feriram - um total de 106 procuraram atendimento médico. A colisão do trem com uma composição parada foi causada por uma falha em uma placa eletrônica que alerta para a presença de outros trens, indicando se a composição deve acelerar ou desacelerar. Por causa disso, a companhia anunciou a substituição de 12 placas similares existentes.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o sistema de controle dos trens nas Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha deveria ter sido substituído no ano passado por outro, mais moderno, similar ao usado na Linha 4-Amarela. O contrato firmado com a Alstom era de R$ 706 milhões. Pelo atraso, a empresa foi multada em R$ 10 milhões. Esse sistema só está em testes na Linha 2-Verde. Nos outros dois ramais, os equipamentos de via começaram a ser instalados, mas não há data para a migração de um sistema para outro.

Protesto. Metroviários fizeram ontem protesto na Estação Sé para reclamar de sucateamento da rede. Segundo eles, a Linha 4- Amarela, sem maquinista, tem risco - informação negada por especialistas. "Ouvi declaração de que a Linha 4 é totalmente segura. Se perguntassem sobre a segurança do Metrô um dia antes do acidente, a resposta seria a mesma. Foi o operador que evitou tragédia maior", disse o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Mello. A categoria reiterou que fará greve na quarta-feira, caso não avance a negociação por reajuste salarial de cerca de 20%. O Metrô ofereceu 4,15%, mais 0,5% de aumento real.

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