Passageiro relata nervosismo de andar em túnel do metrô

Jornalista conta que andou por um pequeno e escuro corredor, onde teve de enfrentar impaciência e calor

Paulo R. Zulino, estadao.com.br

18 de janeiro de 2008 | 12h05

Ameaça de desmaio, impaciência e nervosismo. Com essas palavras, o jornalista José Roberto Rodrigues de Ponte descreveu os cerca de 40 minutos que permaneceu preso com outros passageiros dentro de um vagão do trem que quebrou, na manhã desta sexta-feira, entre as estações Paraíso e Ana Rosa, na linha 1 (azul) do metrô. Depois da espera, o jornalista contou que os passageiros tiveram de andar cerca de 50 metros, por um pequeno e escuro corredor, até chegar à plataforma.   "Olha, a composição parou a uns cerca de 50 metros da plataforma. O funcionário pediu para que nós andássemos até a plataforma, em fila indiana, e com calma. O problema é que lá é muito estreito e a caminhada durou pelo menos uns 15 minutos, mas sem o empurra-empurra que a gente vê nas plataformas para entrar nos trens".   Segundo o relato do jornalista, os passageiros foram avisados por um agente de estação do metrô, que passou de vagão em vagão, comunicando a pane e pedindo para que as pessoas caminhassem em fila indiana. Houve nervosismo, ameaça de desmaio e impaciência até chegar à plataforma. "Ficamos uns 30 ou 40 minutos dentro do trem. Eu estava no último vagão. Na verdade, não chegou a existir um clima de pânico, mas mais de impaciência e vontade de sair dos vagões, onde o calor é muito forte. Houve ameaça de desmaio de uma senhora, que foi prontamente acudida".   José Roberto falou que o tempo inteiro as pessoas eram informadas do que estava acontecendo pelo maquinista da composição. Nesse tempo, surgiu um funcionário do Metrô no corredor, que foi indo de vagão em vagão para pedir aos passageiros que abandonassem o trem e caminhassem até a plataforma.   O gerente de Operações da Companhia do Metropolitano de São Paulo, Milton Gióia, informou que, na verdade, houve duas evacuações de trem na linha azul. A primeira, às 6h47, nas proximidades da Estação Paraíso, no sentido Jabaquara, quando a composição deixava a plataforma e sofreu uma avaria. Segundo ele, um vagão ainda ficou na plataforma, mas os outros cinco permaneceram retidos no túnel, obrigando a retirada dos passageiros.   Gióia falou que ninguém andou pelos trilhos do metrô. "A linha é energizada, ou seja, quem deliberadamente avança pelos trilhos ou morre atropelado por um trem ou morre eletrocutado. As pessoas foram retiradas dos vagões e fizeram a caminhada de volta à etação Paraíso pela passarela de emergência", explicou.   A outra evacuação ocorreu momentos depois num trem que também seguia em direção ao Jabaquara e estava na altura da Estação São Bento, na região central da cidade, mas não foi informado se houve algum defeito. Também nesse caso, foram adotados os procedimentos visando assegurar a integridade dos usuários. O gerente de Operações do Metrô declarou que evacuações sempre são adotadas quando passageiros ficam retidos nos trens que sofrem problemas técnicos e não há outra alternativa para as pessoas.   Problema técnico   Sobre o problema técnico verificado na composição que saia da Estação Paraíso, Gióia disse que o caso aconteceu às 6h47 e que a situação foi normalizada às 8h45. Segundo ele, não está confirmado que o trem sofreu problema de tração. A avaria está sendo analisada pelos engenheiros do Metrô e no decorrer do dia a empresa deve informar o que, na realidade, ocorreu.

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