Passageiro pode ver na TV trajeto de mala em aeroporto

Após onda de furtos, Infraero testa câmeras em Brasília e Galeão que mostram o que passa atrás da esteira; Cumbica será o próximo

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

01 Março 2012 | 03h04

Em meio à onda de furtos de malas em aeroportos do País, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) quer mostrar ao passageiro o que passa por trás das esteiras. Enquanto espera a bagagem, ele acompanha em uma tela imagens de câmeras de segurança que mostram funcionários manuseando e colocando as malas dos carrinhos nas esteiras. Ainda neste ano, os 13 aeroportos da Copa terão o sistema, que começou a ser testado em Brasília e no Galeão há 15 dias.

Reclamações sobre bagagens furtadas, extraviadas ou danificadas são frequentes entre passageiros. Só no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, mais de 1,3 mil casos de furtos foram registrados em 2011 - o local deve ser o próximo a receber as câmeras. Em Brasília, esse tipo de crime cresceu quase 30% em relação a 2010. As queixas se repetem no Galeão, no Santos Dumont, em Porto Alegre e qualquer aeroporto de grande movimento. Em Congonhas, na zona sul, 27 furtos por mês foram registrados, em média, no ano passado.

Para a Infraero, câmeras podem inibir a ação dos ladrões pelo menos na fase final de devolução da bagagem - a entrega na esteira. "Há um questionamento do passageiro em relação ao que ocorre com a mala depois de sair do avião. Quando funcionários que manuseiam carrinhos sabem que há monitoramento, já se sentem inibidos", diz o superintendente do Galeão, Emmanoeth Vieira de Sá. No aeroporto do Rio, são cinco monitores para as oito esteiras, todas no desembarque doméstico.

A responsabilidade do transporte da bagagem é das empresas áreas ou de terceirizadas - que, vigiadas por câmeras, "vão se sentir mais constrangidas em manusear de qualquer forma" as malas, segundo Vieira de Sá. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou 5,2 mil manifestações de passageiros sobre problemas com bagagem entre janeiro de 2011 e janeiro deste ano, desde malas novas que chegam quebradas até extravios, sobretudo em voos internacionais.

Em Brasília, as imagens das câmeras são mostradas em quatro monitores, nas esteiras de 1 a 4. Nesta semana, os testes seriam ampliados também para o desembarque internacional. "Nosso papel é tornar o processo transparente. Das empresas aéreas, cobramos que o manuseio e a entrega das malas sejam feitos com mais eficiência", diz Antônio Sales, superintendente do Aeroporto de Brasília.

Gravado. Por causa das queixas constantes e de eventuais investigações sobre malas furtadas dos aeroportos, as imagens das câmeras serão gravadas e podem ser usadas pelas companhias ou órgãos de segurança - Polícias Civil e Federal - quando necessário. O alcance das câmeras, contudo, não vai tão longe - o passageiro só acompanha a bagagem chegando ao carrinho e sendo colocada na esteira.

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