Passageiro incorpora novas rotinas no trajeto entre a casa e o trabalho

Greve interfere nos trajetos dos usuários, que precisam mudar rotina para chegar ao destino

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2014 | 20h29

SÃO PAULO - Se no primeiro dia da greve dos metroviários muitos foram os que negociaram com patrões para não trabalhar - ou trabalhar de casa - a fim de não enfrentar o trânsito ou não ter de amargar mais tempo em uma rota “sem metrô”, nesta segunda-feira, 9, os novos itinerários já pareciam incorporados ao dia a dia. “Fazer o quê, né?”, lamenta a copeira Eliete Cidreira, de 56 anos. 

Ela mora em Guarulhos, na Grande São Paulo, e trabalha em um escritório perto da Avenida Paulista. Normalmente, pega um ônibus até a Estação Tucuruvi e, de lá, de metrô, com uma baldeação, segue até a Paulista. “Costumo levar 1h para vir ao trabalho”, diz. “Na quinta (primeiro dia da greve), eu não consegui vir. Na sexta, até rezei para conseguir chegar.” 

Conseguir, conseguiu. Mas na ida foram quatro horas entre três ônibus e a Linha 4-Amarela do Metrô (cujos funcionários não aderiram à paralisação). “Em uma das paradas, foram quase 2h só esperando o ônibus”, conta. Chegou ao trabalho e o relógio já marcava 11h40. Na volta, outras 3h. “Ou seja: fiquei mais no trânsito do que trabalhando. Um absurdo. Desta vez, eles (os grevistas) passaram do limite.” Nesta segunda, Eliete conseguiu fazer um trajeto um pouco melhor. “Descobri um ônibus mais rápido e demorei só 2h30”, afirma. 

A produtora de moda Juliana Conte, de 29 anos, não vem tendo vida fácil. Ela mora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e trabalha em uma agência de comunicação na Rua Augusta. Geralmente, pega um ônibus até a Estação Sacomã e, de lá, a Linha-2 Verde até a Estação Consolação. Gasta 40 minutos, em média. 

Na quinta-feira, quando soube da paralisação, recorreu ao Google. “Eu fiquei procurando qual era o melhor ônibus, essas coisas. Acabei tomando um ônibus até São Caetano, CPTM até a Estação Brás, depois outro trem até a Luz e aí a Linha Amarela”, diz. Total do trajeto: 1h30. “Na volta consegui uma carona até a Estação Sacomã, aí foi mais tranquilo.”

Férias. Estagiário em uma empresa no Brooklin, o estudante de Direito Felipe Silva Campos, de 21 anos, também teve de mudar sua rotina. Ele mora em Guarulhos e, com ônibus, metrô e CPTM, costuma gastar 1h30. Com a greve, teve de incorporar outro ônibus ao trajeto: 2h20. “Ainda bem que já estou em férias da faculdade, senão seria outro problema no fim do dia.”

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