Passageiro gasta 1h05 para ir de casa para o trabalho de ônibus na capital

Estudo da SPTrans mostra que a pior situação está na zona oeste, onde a média no trânsito de manhã é de 1h24, do Butantã ao centro

O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2012 | 03h03

Ir para o trabalho de ônibus em São Paulo exige paciência - e voltar para casa no fim do dia, mais ainda. O paulistano leva, em média, 1h05 no trajeto de casa para o trabalho no horário de pico da manhã, entre 6h e 8h59. Ao voltar, das 17h às 19h59, o percurso dura 1h10, segundo dados da São Paulo Transportes (SPTrans).

O tempo médio é obtido a partir de indicadores sobre quanto cada linha de ônibus demora em seu percurso e só considera as linhas estruturais, que funcionam sob regime de concessão e ligam o centro expandido aos bairros - ao todo, 1.350 linhas. Além disso, para conseguir a média final, a SPTrans analisou três anos: 2009, 2010 e 2011.

Nesse período, a pior situação foi vista na área que abrange as regiões do Butantã e Campo Limpo. Mesmo com a chegada da Linha 4-Amarela ao Butantã, lá se perde, em média, quase 3 horas no ônibus no trajeto casa-trabalho-casa, ou 1 hora e 24 minutos em cada trecho.

A Estação Butantã do Metrô foi aberta em março de 2011, mas a situação de quem usa o ônibus naquela região só piorou, sobretudo no trajeto de volta. Em 2009, o tempo de viagem do centro para o Butantã era de 1h17. Em 2011, o mesmo trajeto passou a durar 1h32 no pico da noite.

"Isso mostra que não houve uma racionalização das linhas. Ou, se houve, não foi o bastante. No Terminal da Estação Butantã, o ônibus que sai tem de fazer uma curva de 90 graus e cruzar três faixas para seguir viagem", disse o professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade de São Paulo (USP) Claudio Barbieri da Cunha.

Zona leste. Se o trajeto de e para o Butantã de ônibus é o pior em São Paulo, o bom exemplo está na zona leste. Os ônibus que atendem a região da Penha, São Miguel e Itaim Paulista fazem o percurso até o centro em 56 minutos no pico da manhã, na média entre 2009 e 2011.

Moradora da Penha, a auxiliar de limpeza Sandra dos Santos, de 35 anos, sai de casa menos de 30 minutos antes de começar o expediente. "Em 20, 15 minutos de ônibus estou no trabalho." Mesmo sendo a melhor média, o trajeto desses bairros para o centro piorou ao longo dos anos: alcançou 58 minutos em 2011, cinco a mais do que em 2009.

O assessor especial da Secretaria Municipal dos Transportes, o engenheiro Ivan Whately, afirmou que a Prefeitura investe na construção de 130 km de faixas exclusivas e 68 km de corredores. "Mas todos os dias colocam mil carros na rua", diz. A SPTrans afirma que com as medidas de ampliação o tempo de deslocamento dos passageiros "deverá apresentar melhoras". / ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, CAMILA BRUNELLI e NATALY COSTA

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