Passageiro critica falta de estrutura em bolsões

Quem pega fretado enfrenta o desconforto de áreas de espera apertadas e ao ar livre

Márcio Pinho e Renato Machado, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2011 | 00h00

Se os motoristas reclamam que os ônibus fretados param em qualquer lugar e atrapalham o trânsito, os passageiros desses veículos, por sua vez, criticam a falta de estrutura dos bolsões criados pela Prefeitura. Os usuários dizem que ficam amontoados esperando seus ônibus porque os espaços são estreitos e ao ar livre.

Esses problemas persistem desde o início das restrições aos fretados, em julho de 2009. O então secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, havia dito na ocasião que os ajustes seriam feitos com o tempo em alguns bolsões. Passados quase dois anos, pouca coisa mudou.

"Nós precisamos esperar sobre uma ponte com área para pedestres estreita e sem cobertura. Em dias de chuva, todos ficam amontoados na entrada do metrô, até atrapalhando quem vai entrar na estação", diz o executivo de contas Guilherme Gazaffi, de 21 anos. Ele gasta R$ 450 em ônibus fretados para vir de Indaiatuba para São Paulo, onde trabalha na Rua Vergueiro. Gazaffi embarca e desembarca na Rua Oscar Freire, perto da Estação Sumaré do Metrô.

Uma das vantagens da restrição apontada por ele é que os fretados não entram mais na Avenida Paulista e não pegam os congestionamentos do fim da tarde. Mas a falta de estrutura chega a ser perigosa. "Chegamos mais cedo em casa. Mas o local em que esperamos não tem estrutura nenhuma. O ladrilho está soltando e já vi gente caindo, quando precisa correr atrás do fretado. E isso é comum, porque os fretados param onde tem lugar e os passageiros precisam correr."

Os moradores da região também reclamam da presença dos fretados. Segundo Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, os ônibus estão fazendo bolsões improvisados no fim da tarde na Praça Horácio Sabino e atrás do Cemitério do Araçá, na zona oeste, por exemplo. Ficam ali à espera do horário para buscar passageiros na Estação Sumaré. "São maiores que os ônibus urbanos e feitos para a estrada. Há casas antigas que tremem quando eles passam", diz ela, que enviou um abaixo-assinado para a Prefeitura, pedindo a restrição da circulação dos ônibus na região.

Polêmica

A restrição à circulação de fretados entrou em vigor em 27 de julho de 2009. Após 5 dias, a 9ª Vara da Fazenda Pública vetou a medida, mas 2 horas depois o Tribunal de Justiça derrubou a liminar.

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