Reprodução/Google Street View
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Médico é suspeito de abusar de mais de 20 pacientes

Cardiologista de Presidente Prudente cometia crime no próprio consultório, segundo Ministério Público e polícia; ele nega acusações

Rene Moreira, Especial para O Estado

16 Janeiro 2019 | 14h59
Atualizado 17 Janeiro 2019 | 13h00

FRANCA - O médico Augusto César Barreto Filho é investigado por suspeita de abusar sexualmente de mais de 20 pacientes em seu consultório em Presidente Prudente, no interior paulista. O Ministério Público encaminhou o pedido de prisão preventiva à Justiça na última segunda-feira. O cardiologista, de 74 anos, foi denunciado pelo crime de violação sexual mediante fraude porque teria abusado das mulheres durante as consultas médicas.

Segundo relatos reunidos pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o profissional tocava as partes íntimas das pacientes ao examiná-las. Algumas disseram que ele chegou a encostar o órgão genital em seus corpos. 

Uma das vítimas contou que Barreto Filho agia, principalmente, na hora dos exames. “Ele ia medir a pressão arterial e, enquanto segurava meu braço, aproveitava para esfregar sua genitália na minha mão”, contou uma das mulheres que registrou queixa contra ele e preferiu não se identificar.

De acordo com a paciente, até na hora de medir as batidas do coração com o estetoscópio o médico praticava o assédio. “Em uma consulta, no momento em que fazia o exame, passou a mão na minha coxa e tentou tocar também dentro da minha calça”, acrescentou.

A investigação, iniciada em julho, foi concluída e encaminhada esta semana à Justiça. O surgimento de novas vítimas pode fazer com que novos inquéritos sejam abertos. “Tem muita gente ligando para a delegacia”, disse Adriana Pavarina.

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Há o risco de que ele (o cardiologista) continue com esses atos (abusos).
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Filipe Antunes, PROMOTOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO, SOBRE PEDIDO DE PRISÃO PREVENTIVA DO MÉDICO FEITO À JUSTIÇA

O crime pelo qual o cardiologista é acusado prevê até seis anos de reclusão - a pena pode ser aumentada em caso de agravantes. O Ministério Público alega que a prisão é necessária para evitar novas vítimas. 

Ao ser chamado à polícia para prestar depoimento, o médico disse ser inocente e que vai falar sobre o caso em juízo. A defesa não quis se pronunciar até ser notificada sobre as denúncias. 

Outras investigações

O cardiologista já havia sido denunciado havia dez anos. Segundo a delegada Adriana, na época a polícia também investigou a denúncia e encaminhou as conclusões à Justiça. O fato de não ter havido condenação, diz ela, deve ser explicado pelo Judiciário.

Ao Estado, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo informou que não tem acesso aos processos que correm sob segredo judicial. Em relação aos processos que podem ser visualizados na plataforma eletrônica do tribunal, constam só duas ações de execução fiscal, sem relação com denúncias de abuso.

Já o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informou ter aberto sindicância assim que recebeu a denúncia de uma vítima em julho de 2018. “As novas denúncias, reveladas por meio da imprensa, serão juntadas à investigação em curso”, informou o órgão, em nota. A sindicância segue sob sigilo. Segundo o Cremesp, o pedido de cancelamento de registro profissional de Barreto Filho foi indeferido, pois ele responde à sindicância. “Tal cancelamento tornaria nulas as consequentes medidas punitivas”, disse o Cremesp. 



 

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