Nivaldo Lima/Futura Press
Nivaldo Lima/Futura Press

Parte de viaduto cai e mata juíza na Av. do Estado

Caminhão com altura acima do limite bateu na ponte Fepasa e derrubou pedaço de concreto sobre carro de magistrada, que não resistiu ao ferimento no crânio

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

20 Novembro 2017 | 08h33

Atualizado às 20h35

SÃO PAULO - A juíza Adriana Nolasco da Silva, de 46 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira, 20, após o carro em que estava ser atingido por um bloco de concreto que caiu do viaduto Fepasa, na Avenida do Estado, região central de São Paulo. A tragédia foi provocada pela colisão de um caminhão contra a ponte por onde passa uma linha de trem, próxima à estação da Luz.

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Sentada no banco do passageiro de seu Honda HR-V branco, a magistrada voltava de uma festa no centro da capital na noite de domingo para sua casa em Cajamar, na Grande São Paulo. Por volta das 23h, um caminhão que havia acabado de ultrapassá-la pela faixa da esquerda bateu na ponte, derrubando um pedaço de concreto sobre o teto do carro e atingindo a cabeça da juíza. Ela foi levada para Hospital das Clínicas, mas não resistiu à fratura no crânio e morreu quatro horas depois.

“Escutei um grande estrondo de batida e em seguida o carro foi atingido por uma enorme pedra bem do lado dela. Chamei pela doutora, mas ela não reagia. Tinha muito sangue, o crânio e o rosto estavam afundados”, disse o policial militar reformado Osmar de Carvalho, de 53 anos, que dirigia o veículo e trabalhava há oito anos como segurança da juíza. Divorciada, ela  deixa uma filha de 27 anos. 

À polícia, ele afirmou que o motorista do caminhão, identificado como Pedro Fernandes de Oliveira, de 42 anos, tentou fugir após o acidente, mas conseguiu bloqueá-lo cerca de 150 metros à frente na Avenida do Estado, no sentido Santana, zona norte. O PM aposentado disse ainda que dirigia o carro da juíza a menos de 50 km/h quando foi ultrapassado pelo caminhão que pertence a uma transportadora terceirizada que presta serviço para a Coca-Cola. 

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Mais alto. Usada pela Linha 11-Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPMT), a ponte tem placa indicando altura de 4,30 metros. Uma perícia feita pelo Instituto de Criminalística (IC) constatou que o caminhão media 4,46 metros, ou seja, 16 centímetros acima do limite indicado no viaduto. Os peritos detectaram ainda um desnível de 15 centímetros no trecho do asfalto que fica debaixo da ponte. 

Aos policiais, o motorista do caminhão negou que tivesse tentado fugir e disse que o trajeto havia sido definido pela empresa para a qual trabalha, a FL Logística Brasil. Oliveira afirmou também que não havia ultrapassado os 50 km/h, limite de velocidade da via. O tacógrafo do caminhão foi apreendido para perícia e o motorista foi liberado pela polícia.

Em nota, a FL Logística afirmou que o caminhão “transitava dentro dos padrões legais” e que “o choque foi contra uma estrutura de dutos, fixada embaixo do viaduto, e não no próprio viaduto”. Segundo a empresa, parte de sua frota utiliza este percurso como rota diária há pelo menos cinco anos sem registro de incidentes semelhantes. Tanto a FL Logística quanto a Coca-Cola informaram que lamentam o acidente e que estão apurando os fatos. 

A Prefeitura informou que a Secretaria Municipal de Serviços e Obras e a Defesa Civil vistoriaram o viaduto e não foi constatado qualquer problema estrutural. Segundo a administração municipal, o caminhão atingiu um pórtico por onde passa o sistema de sinalização da CPTM, que foi ao local fazer reparos.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o caminhão não portava uma autorização especial exigida para veículos que ultrapassam 4,40m de altura poderem circular dentro da cidade. "A emissão dessa autorização para veículos com excesso de dimensões é dada pelo órgão apenas após estabelecer uma rota especifica para tráfego", afirmou a CET. Ainda segundo a companhia, o caminhão foi multado e seria apreendido.

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