Parque Villa-Lobos pede socorro contra flanelinhas

Guardadores agem principalmente aos domingos, quando efetivo da PM é menor; administrador apelou à Secretaria da Segurança

Camilla Haddad e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2010 | 00h00

O administrador do Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, zona oeste, Roberto Ferraz Rosa, pediu ajuda da Secretaria da Segurança para coibir a ação dos flanelinhas. Os guardadores de carro, segundo Rosa, agem no estacionamento do local e chegam a extorquir dinheiro dos frequentadores. Como a área verde é de responsabilidade do governo do Estado, não existe a cobrança de Zona Azul nos bolsões.

"A nossa segurança é patrimonial e até tenta fazer essa prevenção, mas não é uma segurança armada e não tem a mesma força da Polícia Militar", disse ontem. Segundo Rosa, existem quatro bolsões de parada no parque - com um total de 1.300 vagas. "Só que no fim de semana recebemos até 30 mil pessoas", afirmou. Os usuários acabam estacionando na rua.

O administrador explicou que o documento foi enviado à secretaria há cerca de 20 dias pedindo mais policiamento no parque. "Tínhamos dois policiais militares que faziam patrulhamento de bicicleta, mas não tem mais", contou. "Agora existem carros da polícia que fazem isso. É difícil coibir esse delito." A secretaria não confirmou o recebimento do ofício.

A Polícia Militar esclareceu que dentro do Villa-Lobos há uma companhia da PM com um efetivo de 120 homens.

Rosa aponta problemas, principalmente aos domingos, quando, segundo ele, em dias de jogos no Estádio do Pacaembu, parte do efetivo da companhia é deslocada para lá. O administrador não contabiliza as queixas. "A gente sabe que isso ocorre."

A reportagem conversou ontem com um guardador de carros que trabalhava na entrada principal do parque, na Avenida Professor Fonseca Rodrigues. Havia poucos veículos estacionados. Ele disse que só cobra uma "caixinha" e garantiu que nunca foi agressivo com os usuários do Villa-Lobos. "Que eu saiba não tem isso nesse bolsão. Tem nos que ficam mais afastados da portaria", afirmou o rapaz, que não quis se identificar.

Frequentadora há quatro anos do Villa-Lobos, Elisângela de Camargo Ferro, de 34 anos, disse que foi abordada uma vez por um flanelinha e entregou o que tinha.

Polêmica. Especialistas em segurança concordam com a atitude do administrador de pedir reforço policial para combater os flanelinhas. Discordam, porém, quanto ao tratamento que deve ser dado aos guardadores de carro. Para o professor de Direito Penal da USP David Teixeira de Azevedo, o melhor é regulamentar a profissão. O coronel da reserva da PM e ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho discorda. "É um contrassenso pagar para um cidadão deixar você ocupar um espaço público."

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