Parque no lugar do Minhocão não tem consenso

Destino do Elevado Costa e Silva foi debatido nesta terça-feira na primeira audiência pública sobre o tema

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2014 | 23h57

SÃO PAULO - O destino do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, no centro da capital, foi debatido nesta terça-feiram 9, na primeira audiência pública sobre o tema depois que o Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade foi sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

Em vigor desde agosto, o PDE prevê em um dos artigos que o tráfego de veículos na via seja gradualmente desativado. Para que isso aconteça, no entanto, uma lei específica precisa ser aprovada.


Cerca de 180 pessoas participaram da audiência, nesta terça-feira, na Câmara Municipal sobre o Projeto de Lei 10/2014, que determina a criação de um parque no local. Embora todos os presentes concordassem com a desativação do elevado, dois grupos contrários falaram: um defende o parque e o outro quer o desmonte do Minhocão.

“Basta ir aos domingos ao elevado para ver que as pessoas já se apropriaram daquele espaço. Já é um parque espontâneo. Se for derrubado, é bom avisar quem usa esse local para relaxar em uma cidade com tão poucas opções de lazer e de parques”, afirmou Wilson Levy Braga da Silva Neto, da Associação Amigos do Parque Minhocão.

A presidente da Ação Local Amaral Gurgel, Yara Góes, não concorda em transformar o Minhocão em parque. “Quem defende o desmonte mora ali, quem quer o parque só vai aos domingos. Tem de fazer estudo de impacto desse parque na vida das pessoas.” Segundo Yara, “por mais absurdo que pareça, quem mora na região prefere o ruído dos carros ao das festas” que ocorrem no local.

João Batista Largo, que faz parte do Grupo Veredas, também defendeu o desmonte. “Um parque suspenso será elitizado e ficamos preocupados com os gastos para manutenção.” Largo já protocolou um substitutivo para o Projeto de Lei 10/2014.

Em uma discussão equilibrada, cerca de dez pessoas, a maioria moradores dos bairros no entorno do Minhocão, se manifestaram sobre as proposta. Os vereadores Nabil Bonduki (PT) e José Police Neto (PSD), autores do projeto, afirmaram que, antes de uma definição, acontecerá um “longo” debate.

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