Parque em SP será usado por 2 anos para obras do metrô

Área será cedida para manobra de trens em obra de expansão do metrô; devolução à cidade ocorrerá em 2012

Edison Veiga e Luísa Alcalde, O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde

05 Maio 2009 | 10h03

Os paulistanos vão perder uma importante área verde, de lazer e recreação gratuita da capital, a partir do segundo semestre de 2010 e até o segundo semestre de 2012. O Parque das Bicicletas, na Alameda Iraé, esquina das Avenidas Ibirapuera e Indianópolis, na zona sul, será transformado em canteiro de obras durante a construção do segundo trecho da Linha 5-Lilás do Metrô, que ligará a Estação Largo Treze à Estação Santa Cruz e à Estação Chácara Klabin.

Dos 20 mil m² do parque, 16 mil, 80% de sua área, serão emprestados temporariamente pela Prefeitura para o consórcio que administra a expansão do metrô. O terreno será usado como pátio de manobras de um estacionamento subterrâneo de trens que será construído no local entre as futuras Estações Moema e Servidor. Esse trecho ficará fechado ao público por dois anos.

Um prédio da Secretaria Municipal de Esportes (Seme) que funciona no mesmo terreno e abriga cinco coordenadorias da pasta também vai sair para dar lugar ao alojamento dos operários e depósito de materiais.

Nos apenas 4 mil m² do parque que continuarão abertos ao público funcionarão as aulas da Escola de Ciclismo, criada em 2006, para crianças da rede pública de ensino. Essa área fica no ponto do terreno mais afastado da Avenida Ibirapuera, próximo à pista de atletismo que existe dentro do complexo da Seme. Deixa de funcionar também durante as obras o trecho que abriga equipamentos de ginástica para a terceira idade.

As obras tinham sido anunciadas inicialmente para começar no segundo semestre deste ano. Mas, segundo a Assessoria de Imprensa de Esportes, em uma reunião recente entre a secretaria, a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e o Metrô, o órgão tem agora até janeiro de 2010 para realojar seus funcionários em outro imóvel na região, que será alugado. O recurso já foi previsto no Orçamento deste ano.

No acordo feito entre Prefeitura e Estado, quando a nova linha de metrô for entregue, o consórcio terá de devolver a área reformada com projeto paisagístico renovado. A presidente da Associação de Moradores e Amigos de Moema (Amam), Lygia Horta, pretende reivindicar que esse compromisso seja firmado por escrito. O Metrô diz que o parque será devolvido "integralmente" porque não haverá obras na superfície.

O parque foi inaugurado em 2000 e oferece, além de ciclovias planas e asfaltadas com 3 mil metros de extensão, áreas para patinar, andar de patinete e caminhar. Antes da inauguração a área era um terreno ocioso da Prefeitura. A transformação do espaço em parque foi uma reivindicação da Amam.

Surpresa

Os frequentadores do Parque das Bicicletas foram pegos de surpresa pela notícia. O Estado conversou com diversos deles na tarde de ontem e nenhum sabia que a área será fechada. "Eles podiam pensar em alternativas", diz o engenheiro civil Rino Bellacosa, de 53 anos, que costuma fazer exercícios físicos no parque três vezes por semana. "Acabar com um espaço desses não é legal."

O garçom Ronaldo Oliveira, de 32 anos, trabalha na região e utiliza o parque para correr após o expediente pelo menos três vezes por semana. "Vai ser uma pena se o parque fechar", acredita. "Eu começaria a ir ao Ibirapuera, mas acho aqui bem mais sossegado." Ele mora perto da Estação Campo Limpo do Metrô e Ronaldo vai de carro para o trabalho. "Se sair a estação de metrô aqui, milhares de pessoas serão beneficiadas", comenta, dizendo que ele próprio passaria a usar o transporte público. "Já o parque é frequentado por uma minoria."

A advogada Ana Maria Jorge, de 52 anos, que mora ao lado do parque, pensa diferente. "Os dois (metrô e parque) são bons. Mas perder uma área verde é muito pior do que não ter metrô na porta de casa", defende. Ela costuma caminhar diariamente ali, com sua filha, a estudante Samantha Jorge, de 21 anos. "Se o parque for fechado, teremos de utilizar o Ibirapuera, que não é tão perto assim", diz a estudante.

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