Parque do Ibirapuera pode ganhar 400 mil m²

Conpresp vota projeto que integra ginásio, Obelisco e monumento e prevê, futuramente, garagem subterrânea

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli, de O Estado de S. Paulo,

09 de setembro de 2008 | 09h00

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) pode aprovar nesta terça-feira, 9, as diretrizes de um novo Plano Diretor para o Parque do Ibirapuera, na zona sul. O projeto resulta de um trabalho de quase quatro anos do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. A principal novidade é a integração física das áreas ocupadas pelo Ginásio de Esportes, pelo estacionamento da Assembléia, pelo Obelisco, pelo Monumento às Bandeiras e pelo Detran. Ao todo, o parque agregará cerca de 400 mil metros quadrados à área de 1,1 milhão de metros quadrados, um aumento de mais de 35%. As diretrizes do Plano Diretor do Ibirapuera, se aprovadas pelos órgãos de tombamento, também servirão de base para que a Prefeitura licite a construção de garagens subterrâneas pelo sistema de Parceria Público-Privada (PPP), uma promessa de várias gestões. As vagas que existem hoje perto da Bienal e do Museu de Arte Moderna serão desimpermeabilizadas e ajardinadas. "O novo Plano Diretor servirá como base para todas as decisões referentes ao parque, além de dar as bases para que ele seja ampliado e melhorado", diz o engenheiro agrônomo Heraldo Guiaro, diretor do Depave. "Essas diretrizes pretendem devolver ao Ibirapuera o conceito de seu desenho paisagístico original. Os lagos dividirão o parque em duas áreas: uma voltada às atividades artísticas e culturais (que inclui os pavilhões e a marquise) e outra destinada ao lazer ativo e contemplativo." Para integrar as novas áreas ao parque, a Prefeitura fez vários estudos de impacto para desviar o trânsito das ruas no entorno, mas ainda não bateu o martelo sobre a melhor solução. Algumas áreas - como o prédio do Detran, que virará sede do novo Museu de Arte Contemporânea (MAC) - poderão ser anexados por meio de passarelas. Já a área do Obelisco também será ampliada e poderá ser integrada ao Ibirapuera por meio de túneis subterrâneos. Com a construção de uma nova rotatória, a Praça do Monumento às Bandeiras também passará a fazer parte do parque.  O assunto já foi debatido pelo Conpresp e está na pauta de votação desta terça. "Eu sou favorável à retomada do projeto original do parque, sem os bolsões de estacionamento", afirma Vasco de Melo, representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil no Conpresp e defensor desse novo Plano Diretor. "Acho que poderemos ter um consenso nessa votação do Conpresp, pois é desejo da sociedade ter mais verde no Ibirapuera." O projeto original do Parque do Ibirapuera foi feito há mais de cinco décadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo paisagista Burle Marx, mas nunca foi integralmente concluído. Niemeyer continua querendo retirar um pedaço da marquise para unificar a praça de entrada do parque - e tal mudança continua não sendo contemplada pela Prefeitura. Ainda assim, outras transformações estão previstas no Plano Diretor para preservar o desenho original, como a demolição de dois conjuntos de banheiros, duas cabines de força e do restaurante e lanchonete The Green, que será transferido para outro local. "As novas diretrizes recuperam parte do projeto original do parque, de perspectiva, de paisagismo e de vazado da marquise", diz o engenheiro Heraldo Guiaro. "Muitas mudanças que estão sendo pensadas são complexas, requerem outros estudos e planos de execução. Mas a aprovação do Plano Diretor é o primeiro passo para termos mudanças significativas no mais importante parque da capital."

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