Parque da Água Branca volta a fechar às 19h

Pane em sistema de luz faz usuários do local perderem 3h; obras causam incômodo há 2 anos

Diego Zanchetta,

27 de abril de 2011 | 00h36

O Parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, voltou a fechar mais cedo, às 19 horas. Pane no novo sistema de iluminação ocorrida durante a troca de galerias do parque, na semana passada, suspendeu por tempo indeterminado o horário das 6 horas às 22 horas, em vigor havia um ano.

É mais um capítulo nas polêmicas mudanças que vêm ocorrendo no parque nos últimos 14 meses, desde o início das obras de revitalização. Um terço dos 137 mil metros quadrados da área verde segue ocupado por entulho, tratores, britadeiras e caminhões. Um alojamento para 20 trabalhadores também está por lá há mais de um ano. O novo prazo para o término da reforma é agosto, segundo o administrador do parque, Antonio Teixeira.

A abertura até as 22 horas foi uma mudança elogiada pelos frequentadores na pesquisa Ibope, realizada no fim de 2010 com os usuários por encomenda da ex-primeira-dama Deuzeni Goldman. Ela foi a mentora das obras, algumas delas alvo de críticas e de ações no Ministério Público Estadual. As reformas do Bosque das Palmeiras e do pergolado, por exemplo, foram suspensas na Justiça após mobilização da Associação de Amigos do Parque da Água Branca.

Mas o funcionamento até mais tarde - antes o parque fechava às 18 horas - era motivo de elogios até entre os mais céticos em relação à reforma. "O parque ficou bem iluminado e há bom policiamento à noite. Eu saio sempre após as 19 horas, só podia vir no novo horário", contou o dentista Fernando Luppi, de 37 anos, morador de Perdizes

Alguns grupos de corrida noturna também passaram a frequentar o parque à noite com o horário estendido. Maratonista nos fins de semana, o chef Gleison de Oliveira, de 49 anos, lamentou. "Só em São Paulo que quase todo parque fecha às 18h, quando todo mundo está saindo do trabalho. Nosso bairro só tem prédio e trânsito. O parque é nosso oásis e, à noite, sem tanto calor, era melhor para correr."

O administrador do parque pede paciência. "Houve um problema na fiação da nova iluminação. Logo que o problema for resolvido, o horário até mais tarde vai voltar", disse Teixeira. Ele diz que a troca das galerias do parque, construídas na década de 1940, vai acabar com os alagamentos e nivelar o piso. "Agora são os transtornos, depois virão os benefícios. O usuário tem dois terços do parque para usar. O problema é que tem gente que quer andar na parte que está em obras."

Durante o feriado prolongado da Páscoa foi possível constatar os efeitos das obras paradas no Parque da Água Branca. Com menos espaço físico no local, o parque ficou ainda mais lotado, apinhado de famílias que disputavam os poucos bancos disponíveis. Alguns bebedouros estavam quebrados, causando filas nos poucos que funcionavam. O lixo se acumulava no chão. Perto do Aquário, crianças brincavam em uma montanha de entulho abandonado em um canteiro de grama. /COLABOROU RODRIGO BRANCATELLI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.