José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Parque D. Pedro terá operação para sem-teto

Cerca de 180 pessoas serão encaminhadas a dois hotéis alugados pela Prefeitura; famílias viverão em espécie de república

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Uma operação da Prefeitura deve começar a retirar nesta quinta-feira, 11, a partir das 8 horas, a favela montada ao lado do Parque D. Pedro, no centro da capital paulista. Cerca de 180 pessoas que moram ali deverão estrear um novo modelo de habitação para a população de rua, com vagas para as famílias e regras menos rígidas do que os albergues.

A operação vem sendo discutida há um ano entre assistentes sociais da Prefeitura e os habitantes do local. As famílias serão levadas para os dois hotéis do novo programa, chamado Autonomia em Foco, enquanto pertences, como roupas e TVs, serão levados de caminhões. Uma faixa de trânsito deve ser interditada para facilitar os trabalhos.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, afirma que guardas-civis municipais deverão acompanhar o trabalho de longe, para não quebrar a confiança que vem sendo construída entre os moradores e os assistentes sociais. É uma forma de agir parecida como a que ocorreu quando a favela que existia na Cracolândia foi desfeita, no começo da Operação Braços Abertos - que oferece moradia, alimentação e abrigo para os dependentes químicos da Luz.


“A preocupação vai ser depois. Tanto ali (na área da tenda) quando no Parque D. Pedro e na Praça da Sé. O problema é o tráfico de drogas. Os traficantes haviam se infiltrado e podem buscar outros lugares para atuar”, disse o secretário.

A favela foi montada em um local que havia sido criado pela gestão Gilberto Kassab (PSD) com a proposta de ser um “espaço de convivência”, onde moradores de rua podiam se banhar e ver TV. A tentativa de Kassab, no entanto, não cumpriu a função de ser a porta de entrada para os serviços sociais e terminou virando uma favela.

Autonomia. No novo programa da gestão Fernando Haddad (PT), dois hotéis foram alugados pela Prefeitura para receber os moradores de rua.

Eles serão encarregados de cuidar da limpeza e terão de dividir cozinhas coletivas nesses espaços - uma espécie de república, com famílias ocupando os quartos. “Foi tudo pactuado, eles (moradores) estão sabendo como será”, diz Luciana. Entre os participantes, há 76 famílias. “Eles terão de trabalhar. Se não estiverem, vão sair do hotel”, afirma a secretária.

A proposta é que as famílias fiquem nos hotéis por tempo determinado. Terão acesso a cursos e capacitação. O apoio servirá para que tenham condições de obter renda suficiente para conseguir outra moradia.

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