Parentes têm ajuda para superar luto

Serviços pós-funeral ofertados por cemitérios e funerárias são tendência em ascensão no setor

Marici Capitelli JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 00h00

Com o objetivo de ampliar o atendimento ao cliente, cemitérios e funerárias particulares de São Paulo estão oferecendo apoio psicológico às famílias que os contratam para enterros ou funerais. Os serviços disponíveis vão de terapia e palestras a encontros temáticos e oficinas com crianças. Há ainda um tira-dúvidas "existencial", com questões respondidas pela internet.

A maioria dos estabelecimentos que oferecem os serviços não cobra taxa extra e toma cuidado de não falar da ajuda na "hora errada". Os contatos, em geral, são feitos após o sepultamento - o único apoio oferecido durante o funeral é a oficina infantil.

Contratada por um grupo de cemitérios e funerária, a psicóloga Iris Demetrios Fyrigos, de 40 anos, faz cerca de 15 telefonemas por dia para clientes que sepultaram um familiar nas últimas 48 horas. Na conversa, Iris oferece três sessões de terapia para lidar com a dor da perda. Na maioria dos casos, o serviço é aceito, garante a psicóloga. Os encontros, semanais, duram 50 minutos.

"O trabalho é bem focado no luto e ajuda a reencontrar o equilíbrio emocional, entender o significado de quem morreu na vida dela e a lidar com culpas."

A experiência de um ano nas empresas para as quais trabalha fez a psicóloga ter certeza de que há o momento certo para oferecer o serviço. Se os parentes são abordados no velório, a tendência é não aceitar a terapia. "Eles preferem se reservar."

Datas. A psicóloga Ana Lúcia Naletto, do Centro Maiêutica de Psicologia Aplicada, presta serviço em cinco cemitérios. Há palestras mensais e também em datas significativas para quem vive o luto. Ana Lúcia faz ainda oficinas com crianças que, segundo ela, costumam ser deixadas de lado no luto com argumento "de que nem entendem o que aconteceu". "A criança é muito mais de agir, ter atitudes mais agressivas", afirma.

Nas palestras, a psicóloga orienta como lidar com algumas fases difíceis do pós-morte, como a destinação das roupas e dos objetos do morto.

Mario Berlingieri, presidente do Sindicato das Empresas Funerárias do Estado de São Paulo, diz que o trabalho de psicologia é tendência em crescimento no setor. "Oferecemos ajuda psicológica em um momento em que 90% das pessoas não sabe onde buscar."

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