Parentes de feridos se unem em Porto Alegre

Casal de namorados está internado em hospitais vizinhos na capital gaúcha; vítimas sofreram intoxicação e queimaduras

PABLO PEREIRA, ENVIADO ESPECIAL, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2013 | 02h08

Sobrevivente da tragédia da boate Kiss, um casal de namorados luta pela vida desde domingo em Porto Alegre. Jéssica Duarte da Rosa, de 20 anos, uma das sete vítimas do incêndio de Santa Maria internadas no Hospital de Pronto Socorro (HPS), e Bruno Portela Fricks, de 22, que se recupera no Hospital de Clínicas, estão juntos há 5 anos.

"Ela está estável", disse ontem o pai de Jéssica, Claudio Forgiarini, após a visita da tarde no HPS. Abalado com o estado de saúde da filha, que estudava Administração na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Claudio se encontrou ainda na calçada com José Diamantino Fricks, pai de Bruno, que acabara de sair do vizinho Hospital de Clínicas, onde estivera com o filho. "Os médicos dizem que ele está estável também", afirmou Fricks.

O pai da jovem vive com a família em Curitiba. Juntos, os dois pais recebiam o conforto de amigos e parentes que chegavam, e de famílias que aguardavam notícia sobre outras cinco vítimas tragédia na Rua dos Andradas, centro de Santa Maria.

Elaine Marques Gonçalves, que perdeu um filho no incêndio, Deivis, de 33 anos, buscava informação sobre o outro filho, Gustavo, 25 anos, também hospitalizado no HPS. Acompanhada pelo filho mais velho, Jean e pela nora, Simone, Elaine soube que Gustavo, que também se recupera de queimaduras e intoxicação pulmonar, permanece sedado e em estado delicado.

"Dona Elaine está superando a dor para recuperar o filho", disse Simone, que acompanha a sogra e o marido em Porto Alegre desde segunda-feira, depois do enterro de Deivis no Cemitério Municipal.

Reunidos na calçada diante do hospital, as famílias e amigos relembravam o drama. Para Nestor Raischen, pai de Mateus, também internado no HPS, a esperança agora está na reação a "esta fase crítica do tratamento".

Professor do Colégio Mauá, em Santa Cruz do Sul, ele contava que o filho é atleta e joga de ala de basquete. "Ele já foi até chamado para a seleção sub-18, mas agora só joga no amador e estuda engenharia de alimentos na UFSM."

Mateus, segundo o pai, tem quadro complicado porque sofreu falência de órgãos e está fazendo hemodiálise. "Ele estava numa festa de formatura ao lado da boate", explicou o irmão, Samuel Raischen. "E resolveu dar uma passada lá na boate", completou o pai. "Mas ele é forte, tem 1,90m. Vai se recuperar", afirmou Nestor. "Ele precisa se recuperar para concluir uma pesquisa de produção de alimentos sem aditivos", disse.

A mesma expectativa tinha Olavo Cadore, pai de Gustavo Cadore, de 31 anos, que sofreu também queimaduras graves nos braços. Doutor em veterinária, Gustavo "foi à festa com alunos dele", contou o pai.

Morador de Erval Seco, cidade próxima de Santa Catarina, ele soube do incêndio às 8h30 e viajou para Santa Maria. Lá, foi informado de que o Gustavo havia sido transferido para Porto Alegre. Muito emocionado, amparado por parentes, Olavo disse ainda esperar "andar pelas roças" com o único filho.

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