Parentes buscam informações em relatos da internet

Usuários do Twitter e do Facebook usam as redes sociais para postar perguntas sobre bairros atingidos e pessoas desaparecidas

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2011 | 00h00

Bernardo Dugin

Estudante de Jornalismo

"A situação é caótica. Você não tem noção do que é uma cidade de 200 mil pessoas acabar. Pelos relatos que eu estou tendo, vai passar de 2 mil mortos. Os bombeiros e a Defesa Civil ainda não chegaram na maioria dos lugares onde os moradores contam que existem corpos."

Dib Curi

Morador de Nova Friburgo

"Amigos. Estamos bem. A experiência na Rua Trajano de Almeida foi bastante intensa. Uma noite boiando num sofá. Meu carro foi arrastado. A água invadiu toda a casa. Nunca vi algo assim."

Karoline Ihns

Moradora de Nova Friburgo

"Estamos precisando de muita água potável, muito remédio. Por favor!"

É difícil saber o que fazer quando se tem um parente incomunicável em um local onde acaba de ocorrer uma das maiores catástrofes naturais do mundo. Mas em época de celular, Facebook e Twitter, a tecnologia contribuiu para a circulação das informações. Nos últimos dias, internautas de vários lugares do Brasil postaram relatos de parentes e amigos que ainda estão nas áreas atingidas da região serrana e fizeram mobilizações para arrecadar alimentos para as vítimas.

Um dos tuiteiros mais ativos foi o ator e estudante de Jornalismo Bernardo Dugin (@bdugin), de 21 anos, que nasceu e viveu a maior parte da vida em Nova Friburgo. Bernardo montou quase uma central de notícias locais no Twitter para tentar responder às centenas de perguntas de usuários que queriam saber se o bairro onde um parente ou amigo vivia havia sido destruído. Para isso, ele ligava para seus próprios conhecidos na cidade serrana e colocava o celular no viva-voz na frente da webcam, que chegou a transmitir para mais de 1,1 mil pessoas simultaneamente. Quase sempre ele consegue uma resposta, mesmo que não seja completamente exata.

"A informação que passa na TV e nos jornais é muito genérica. Tem muita gente querendo saber como está um lugar específico, se é possível ter notícias de certa pessoa, e tento ajudar."

Esforço. Pelo tipo de serviço que estava fazendo, ele acabou trazendo alegria para quem soube que um parente estava vivo e tristeza para quem descobriu que a casa onde um amigo morava foi soterrada - ele próprio, inclusive, perdeu quatro familiares e vários amigos que moravam em Friburgo. "Estou há quase três dias sem dormir só postando as informações no Twitter. Mas não consigo parar, porque me emociono com a reação das pessoas que perguntam."

Além de Bernardo, houve outras iniciativas na internet para quem queria ter notícias de familiares ou amigos. Comunidades que reuniam parentes e ex-moradores das cidades serranas foram criadas no Orkut, como a "AJUDA! Região Serrana do Rio". No Facebook, o grupo da cidade de Teresópolis, o "S.O.S Nova Friburgo" e outras comunidades criadas nos últimos dias também agregavam perguntas de quem estava preocupado e respostas de que esteve na região atingida.

No grupo de Nova Friburgo, por exemplo, uma mulher perguntou por notícias de uma amiga que morava no bairro de Córrego Dantas. "Soube que Córrego Dantas acabou, infelizmente", respondeu outro usuário. Minutos depois, a mulher voltou a postar dizendo que conseguiu falar com a amiga, que havia sobrevivido. Em outra mensagem, um jovem deu dicas de como entrar em contato com alguém que esteja por lá. "É melhor mandar mensagem no celular do que ligar, pois o sinal está péssimo."

Colaboração. Também há na internet serviços para quem quer fazer doações de alimentos e produtos de higiene pessoal. O governo estadual do Rio de Janeiro (@GovRJ) criou um mapa colaborativo no Google Maps mostrando todos os locais em várias cidades do Estado que recebiam doações para serem levadas às vítimas, desde farmácias, prefeituras e batalhões da Polícia Militar. O twitter @LeiSecaRJ postou também uma lista de endereços dos telefones públicos de Nova Friburgo e o site oficial da prefeitura do município atualizava regularmente a lista dos mortos já identificados na cidade.

São Paulo. Na capital paulista, o Twitter também ajudou afetados pela chuva. Na madrugada de terça-feira, quando um temporal inundou a cidade, um perfil no Twitter dava dicas de onde havia alagamentos.

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