'Parece que houve um conluio entre empresas', afirma Aécio

Presidente do PSDB disse que culpados serão acionados; segundo Alckmin, quem cometeu desvio será punido

Ricardo Chapola, Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2013 | 02h04

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que, se for confirmada a participação de agentes do Estado no cartel, eles devem ser "imediatamente punidos". Já o presidente do PSDB, Aécio Neves, disse que "parece ter ocorrido um conluio entre empresas".

A afirmação do senador tucano foi dada durante o Festival Cultural Gastronômico, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. O evento contou com a participação de empresários, do governador Alckmin e do governador de Minas, Antonio Anastasia. "Vamos aguardar que essas investigações cheguem ao seu final e, se houver um cartel - e parece que houve um conluio entre empresas -, elas serão acionadas pelo governo para ressarcir o Estado. E se houve alguma participação de algum agente político, ele será exemplarmente punido", prosseguiu Aécio. Esse cartel teria atuado em gestões do PSDB em São Paulo entre 1997 e 2008.

O presidente nacional do partido também defendeu a punição de eventuais agentes públicos que estejam envolvidos na denúncia e criticou o sigilo. "Parece extremamente estranho que não tenham chegado esses documentos ao governo (de São Paulo). Obviamente, não podemos aceitar esse vazamento direcionado de informações", disse.

Mais cedo, Alckmin havia voltado a classificar como "lamentável" e "estranho" o sigilo. "O Estado é o maior interessado que a investigação seja absoluta. Por isso, entramos na Justiça, para ter acesso às informações do Cade", disse. O governo pretende fazer a própria investigação para que possa pedir na Justiça o ressarcimento de prejuízos. "Se for confirmado o cartel, o Estado é vítima e entrará imediatamente com ação de indenização." No mesmo evento público, ontem, o ex-governador José Serra não comentou o assunto.

Legislação. O Cade, por sua vez, informou que a lei só permite o compartilhamento de documentos relacionados a essa investigação com as empresas envolvidas na apuração. "A necessidade de autorização da Justiça já foi esclarecida à Corregedoria-Geral do Estado de São Paulo pelo Cade no dia 1.º de agosto", diz a nota oficial. "Caso a Justiça determine o compartilhamento do material apreendido (com o governo de São Paulo), o Conselho prontamente cumprirá a decisão." Em nota divulgada na sexta-feira, o Cade afirmou que "repudia qualquer acusação de instrumentalização política das investigações".

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