Paralisação de ônibus em Campinas prejudica 300 mil

Por causa de greve dos motoristas, só 64 dos 928 coletivos da cidade saíram das garagens, segundo a prefeitura

RICARDO BRANDT, ESPECIAL PARA O ESTADO , CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2012 | 07h45

O primeiro dia da greve de motoristas e cobradores de ônibus de Campinas, no interior paulista, afetou cerca de 300 mil pessoas ontem. Dos 928 coletivos das cinco concessionárias da cidade, 64 circularam, segundo a prefeitura. A manhã começou com confusão na porta das garagens. Dois ônibus tiveram os vidros apedrejados e a PM usou spray de pimenta para conter os manifestantes e tentar liberar a saída dos veículos. Sentados nos portões das empresas, sindicalistas conseguiram que seis dos 11 terminais permanecessem fechados.

Para minimizar o prejuízo aos 676 mil usuários do transporte coletivo, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) colocou para circular todos os 241 miniônibus do sistema complementar, mais nove ônibus do período da madrugada e 25 vans e dois carros de um programa de acessibilidade.

O secretário municipal dos Transportes e presidente da Emdec, André Aranha Ribeiro, e as empresas de ônibus dizem que os condutores descumpriram a ordem do Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região, que exigia que 70% da frota fosse mantida nas ruas durante os horários de pico (7h às 9h e 17h às 19h) e 50% nas demais horas.

"Toda a cidade foi prejudicada. Além das pessoas que ficaram sem ônibus, o volume de carros na rua foi muito maior, o trânsito complicou e todo mundo foi prejudicado pela paralisação", disse o secretário. Segundo o governo, menos de 7% foi mantido. O sindicato nega e diz que o índice foi cumprido.

O desembargador Lourival Ferreira dos Santos estipulou multa de R$ 20 mil por dia caso houvesse descumprimento da decisão. Ontem, ele acatou pedido de antecipar de segunda-feira para sexta-feira a audiência de conciliação com a categoria.

Os condutores reivindicam reajuste salarial de 21,9%, vale-refeição de R$ 15 e participação nos lucros.

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