Paralisação de 2 horas mobilizou metade das delegacias de São Paulo, diz associação

Mais de 4 mil delegados, policiais, investigadores e escrivães do Estado teriam aderido ao protesto nesta segunda (29)

Thiago Mattos, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2013 | 19h07

Quase metade das 2.006 delegacias do estado de São Paulo paralisaram suas atividades nesta segunda-feira, 29, durante duas horas. De acordo com a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPPESP), o protesto - chamado de Operação Blecaute - aconteceu de 10 horas ao meio-dia e teve adesão de quase mil delegacias e mais de 4 mil delegados, policiais civis, investigadores e escrivães do Estado.

Entre as reivindicações do grupo estavam a recompensa salarial por meio da reestruturação da Polícia Civil com carreira jurídica para delegados e nível universitário para investigadores e escrivães.

Marcha.Às 14 horas, cerca de 300 delegados saíram da sede da ADPPESP na Avenida Ipiranga, no centro, marchando até a Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), onde foram recebidos pelo chefe de gabinete da PGJ, Luis Henrique Dal Poz.

A assessoria do órgão disse que as demandas foram recebidas e ficou acertado que serão feitas novas reuniões para melhorar a interlocução entre o Ministério Público e a Polícia Civil.

“A ninguém interessa uma cizânia nem este tipo de desconforto que acabou acontecendo por conta dessas prisões", afirmou a presidente da associação Marilda Pinheiro, referindo-se ao caso envolvendo policiais do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc).

No último dia 15 de julho, 13 policiais foram presos após terem sido flagrados achacando criminosos.

Marisa também saiu em defesa do delegado Clemente Calvo Castilho Júnior, chefe da inteligência do Denarc, que ficou preso por três dias na ocasião por suposto envolvimento com o vazamento de informações do caso. Para ela, a prisão do delegado foi desnecessária.

"Esse espetáculo midiático incomoda profundamente porque lança toda a instituição na lama. Preservamos a identidade de todos que são levados até nossas delegacias e não tivemos o mesmo tratamento com esse caso relacionado a policiais", afirma.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado divulgou nota informando que tem se empenhado na negociação salarial com todas as categorias da polícia. "Policiais civis, militares e científicos tiveram um reajuste de 27,7%, no salário (15% em julho de 2011 e 12,7% em agosto de 2012). Além do reajuste salarial, o Governo do Estado anunciou um pacote de benefícios às carreiras policiais, com medidas para facilitar as promoções e a valorização de carreiras", disse a nota.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.