Felipe Araujo/AE
Felipe Araujo/AE

Paraitinga põe de pé a Capela das Mercês

O templo mais antigo da cidade foi destruído pela cheia de 2010 e agora será reaberto à população, que participou do restauro

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

SÃO LUIZ DO PARAITINGA

Desde janeiro de 2010, quando São Luiz do Paraitinga, a 171 km de São Paulo, foi atingida por uma enchente de grandes proporções que quase a destruiu por completo, a população não vivia momentos de tanta expectativa e ansiedade. Em dez dias, a cidade receberá de volta a Capela das Mercês - o primeiro templo da cidade, derrubado pela enchente.

A capela começou a ser erguida em 1809 e foi inaugurada em 24 de setembro de 1814, segundo o jornalista luizense Judas Tadeu de Campos. No dia 25, um dia depois de comemorar a data de fundação da capela, ela será devolvida oficialmente à população. "É um presente que estamos dando para os luizenses", afirma o engenheiro Mauro Henriques de Arruda, responsável pela execução da obra, que custou R$ 1,127 milhão. O prazo para entrega, que era de um ano, acabou adiantado em três meses.

Quem não para de sonhar com a reaberta é a professora aposentada Benedicta Antunes Andrade, de 82 anos, a dona Didi Andrade, há 50 anos zeladora da capela. Mesmo às voltas com doença na família, ela arrumou tempo até para indicar o lugar de cada santo no altar em reforma. "A capela faz parte da minha vida."

Outro que mostra animação é o padre Edson Carlos Alves Rodrigues, pároco de Paraitinga. Ele considera a reforma um marco de fé da comunidade, que tem 90% de católicos. "Isso tudo contribui muito com a espiritualidade e demonstra o carinho do povo com a capela."

O projeto, do arquiteto Antonio das Neves Gameiro, tinha como maior desafio conciliar as particularidades da obra com a urgência. "A cidade precisava da capela." Isso o motivou a envolver diretamente moradores. Ontem, o ritmo das obras era frenético.

Arruda, porém, garante que tudo ficará pronto para a festa, que vai de 22 a 25 de setembro. Para fazer jus ao espírito festeiro da cidade, tudo será comemorado com reza, procissão, fogos e a tradicional banda de música - a centenária Corporação Musical São Luiz de Tolosa -, que vai brindar os presentes com uma retreta, uma apresentação de banda, logo após as celebrações.

Resgate. A reconstrução só foi possível graças à iniciativa voluntária de alguns cidadãos. Logo que as águas da enchente baixaram, eles iniciaram uma operação de salvamento do que estava nos escombros. Dessa forma, recuperou-se 70% do material, agora utilizado na obra. O altar teve boa parte restaurada, assim como o sacrário, que ficou praticamente intacto, e o sino original, que está pronto, à espera de ser badalado nos dias da festa.

Da taipa, uma parte muito pequena está preservada e será mantida à mostra, protegida por uma estrutura de concreto armado, com 7,2 mil kg de aço, que sustenta as novas paredes, nas quais foram utilizados cerca de 100 mil tijolos. A ideia é mostrar a quem visitar o local como foi o processo original de construção. Já a fachada foi pintada de azul e branco, cores originais do século 19, a pedido da população.

OUTROS RESTAUROS

Igreja Matriz de São Luiz de Tolosa

Governo do Estado liberou cerca de R$ 18 milhões para as obras de recuperação em março, mas só há 15 dias teve início a movimentação no local. Deve ser entregue em 1 ano e 8 meses.

Igreja do Rosário

Foram realizadas apenas obras emergenciais. A reforma completa, que pode durar 2 anos, deve começar ainda neste ano.

Casario da Praça Dr. Oswaldo Cruz

Tombado pelo Condephaat, ainda depende de estudos dos órgãos de preservação para liberação das obras de reconstrução pelos proprietários. Uma linha de crédito deverá ser liberada.

Mercado Municipal

Apesar de ter sido completamente encoberto pelas águas da enchente, sua estrutura não sofreu forte abalo. Já foi entregue.

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