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Paraisópolis terá praia formada por córrego

Terceira fase da reurbanização do local prevê praça de 40 mil metros [br]quadrados onde curso d'água se abre e cria espécie de grande espelho

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2010 | 00h00

São Paulo nunca teve uma relação das mais amigáveis com seus rios e córregos, pelo contrário. Desde as primeiras inundações, em 1860, até as enchentes do último verão - passando por todo o processo de impermeabilização do solo e retificações dos principais cursos d"água -, a cidade tentou em vão consertar um problema causado pela urbanização sem planejamento. Os rios sumiram da paisagem, mas as dores de cabeça continuaram.

Um plano em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, no entanto, mostra que essa história não precisa seguir sempre a mesma receita. Como parte da reurbanização da favela, a segunda maior da capital, a Prefeitura encomendou um projeto para o escritório MMBB para transformar a região do Córrego do Antonico, com quase 1 quilômetro de extensão. O resultado é a criação de uma praia urbana, uma nova forma de integrar os córregos à vida do paulistano.

"A questão dos córregos e enchentes sempre foi tratada como uma questão sanitarista, com a água trazendo problemas, doenças", diz o arquiteto Fernando de Mello Franco, sócio do MMBB. "O que tentamos foi inverter isso, criando um parque público que funciona como uma espécie de várzea do córrego. Aquilo enche e esvazia de acordo com a chuva até certo ponto, o que faz com que as pessoas possam ter contato direto com a água, que é tratada."

O projeto deve começar a sair do papel no ano que vem, com o início das obras da terceira fase da reurbanização de Paraisópolis. A praça tem entre 30 mil e 40 mil metros quadrados, e conta com um edifício com vários equipamentos culturais públicos. Em um dos cantos da praça, em um polígono inclinado, o Córrego do Antonico se abre e cria uma espécie de grande espelho d"água - a ideia é que essa água seja tratada com sistemas adicionais de limpeza para diminuir os efeitos da poluição. Em dias de sol, a água do córrego deve ocupar 15% desse polígono da praça.

"Mesmo em dias de chuva, a água deve chegar a 30% da área, não mais do que isso", explica Fernando de Mello Franco. Ainda será criado um bulevar paralelo a todo o canal com 10 metros de largura. Para isso, pelo menos 700 propriedades deverão ser desapropriadas.

"A vazão da água será de 0,7 a 1,2 metro cúbico por segundo, o que também não será muito forte, será como uma pequena onda. Teremos um sistema auxiliar subterrâneo, para não termos enxurradas. A ideia é que a água seja tratada como agente transformador dos espaços, não como um problema", diz Franco.

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