Paraguai entrega navios abandonados ao RS

Sucatas deixadas por tripulações no cais de Porto Alegre há 14 anos oferecem risco ambiental; embarcações cederão lugar a terminal turístico

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2011 | 00h00

O governo do Paraguai vai entregar duas sucatas de navios ao governo do Rio Grande do Sul para pagamento de dívidas de aproximadamente R$ 4,9 milhões pela permanência das embarcações no cais de Porto Alegre. A decisão tomada em Assunção no dia 8 de junho vai terminar com uma novela que já dura 14 anos.

Abandonados por suas tripulações em 1997, os Navios Mariscal José Félix Estigarribia e General Bernardino Caballero, que transportavam trigo para o Rio Grande do Sul, nunca foram retirados do porto da capital gaúcha e viraram sucata. Atualmente, colocam em risco não só a navegação como também o meio ambiente.

Depois do recebimento formal dos navios, a Superintendência de Portos e Hidrovias do Rio Grande do Sul (SPH) vai leiloá-los para recuperar parte das receitas de taxas portuárias que perdeu. "Mais importante que receber o valor devido é nos livrarmos dessas sucatas potencialmente provocadoras de danos ambientais", avalia o secretário de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque. "Ainda no governo Olívio Dutra (1999 a 2002), esvaziamos os tanques de combustível, mas a cada ano as embarcações ficam mais precárias, aumentando os riscos."

A intenção é deixar a área limpa o mais breve possível. A SPH vai retomar o cais onde as duas embarcações estão atracadas para transformá-lo em um terminal turístico, integrado ao novo uso que toda a região portuária central terá nos próximos anos, com capacidade para receber até navios de cruzeiro.

Fim das sucatas. A saída das sucatas começou em abril, quando outras três embarcações, ancoradas há dez anos, foram retiradas pela proprietária, uma empresa brasileira. Nos últimos 20 anos, as atividades de carga e descarga de mercadorias do porto da capital gaúcha foram deslocadas para uma área mais ao norte da cidade. Os armazéns da região central passaram a ser usados em eventos e atividades culturais, como a Bienal do Mercosul e a Feira do Livro.

No futuro, serão integrados a um projeto de revitalização do local, que contará ainda com edifícios comerciais, um hotel, centro de eventos e passeios para pedestres.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.