'Paradona' da Mangueira vira polêmica

Bateria suspendia o som por até 2 minutos, mas arquibancada não acompanhava o samba. Veja outros destaques da 2ª noite de desfiles

RIO, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h01

Na segunda noite, a Mangueira, escola mais popular do Rio, provocou euforia assim que iniciou o desfile. Para contar os 50 anos do bloco Cacique de Ramos, um dos mais tradicionais do carnaval carioca, a Verde e Rosa fez uso de um silêncio prolongado da bateria, o que dividiu opiniões na própria escola. Pelo menos quatro vezes, na frente das cabines de jurados, a bateria parava e o som da passarela caía por quase dois minutos, deixando o samba sustentado nas vozes dos componentes e de um time de estrelas escalado para um pagode quase intimista sobre um pequeno carro.

Isso funcionava "in loco". O problema é que a arquibancada não acompanhou, talvez pela fragilidade do samba deste ano, e quem estava diante de outros setores da escola não ouvia nem entendia. A maioria suspeitava de uma falha do som da Sapucaí e tentava incentivar a escola com aplausos, mas a longa parada desanimava. "No início, o público achou que era pane de som. Depois entendeu e veio a catarse" afirmou o presidente da Mangueira, Ivo Meirelles.

A São Clemente e a União da Ilha levaram para o sambódromo uma festa irreverente. Escolas que lutam contra o rebaixamento - neste ano duas caem para o Grupo de Acesso -, apresentaram-se com fantasias leves e muita empolgação.

Neste ponto, a São Clemente se destacou com seu enredo que contava a história de grandes musicais. Já a União da Ilha exaltou Londres, cidade-sede da próxima edição dos Jogos Olímpicos, e também foi bastante festejada.

Na sequência, o Salgueiro reverenciou a literatura de cordel com fantasias pouco criativas. Exagerou na quantidade de alas em alusão a cangaceiros. Na reta final, a escola teve de acelerar o passo e deve ser penalizada em harmonia e evolução.

A Unidos da Tijuca foi a quinta escola a se apresentar, cercada de muita expectativa pelos seus dois últimos carnavais históricos. O carnavalesco Paulo Barros teve sacadas inteligentes para tirar o enredo sobre Luiz Gonzaga do óbvio - especialmente em um ano em que outras quatro escolas abordaram o Nordeste. Ainda assim, a plateia viu mais fantasias de boi-bumbá, Lampião e Maria Bonita, gangues de cangaceiros e festas juninas, todas já apresentadas nas duas noites de desfiles no sambódromo.

Para fechar o desfile, a Grande Rio apostou no tema "superação" - uma alusão direta ao incêndio que, um ano atrás, destruiu suas fantasias e alegorias às vésperas do carnaval. A escola sofreu uma série de problemas, principalmente na curva que conduzia os carros até a Marquês de Sapucaí. O abre-alas chegou a ser danificado.

A apuração das notas de 40 julgadores começa a ser feita hoje, às 15h45. Cada um dos dez quesitos receberá quatro avaliações, descartando-se a menor delas. Uma inovação é a possibilidade de o julgador atribuir a apenas uma escola a nota 10,1, como um bônus. Essa bonificação, no entanto, é experimental e não vai constar do resultado final. / SÍLVIO BARSETTI, ALEXANDRE RODRIGUES, FÁBIO GRELLET, MÔNICA CIARELLI, CLARISSA THOMÉ, ROBERTA PENNAFORT e LUCIANA NUNES LEAL

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