Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Paradas, obras do Largo da Batata acumulam lixo

Comerciantes e moradores não veem operários no local há dois meses; Prefeitura afirma que revitalização está 60% concluída

Cristiane Bomfim, Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2010 | 00h00

Lixo, entulho e montes de terra dividem espaço com pedestres nas calçadas quebradas e esburacadas do Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. As obras de revitalização do local estão paradas há dois meses. A última vez que operários foram vistos por comerciantes e moradores foi em agosto. "Plantaram árvores magrelinhas e sumiram", diz o lojista Francisco das Chagas. São 136 árvores rodeadas de sujeira.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras afirma que 60% da obra já foi concluída, o que inclui o aterramento de fiações e abertura de ligações viárias. A Prefeitura diz que "a necessidade de desapropriações requereu maior espaço de tempo do que o previsto inicialmente", mas não informou se o prazo de conclusão, no segundo semestre de 2011, será mantido.

Entre maio e hoje, período em que a reportagem visitou o local, a única mudança significativa na região foi a conclusão da ampliação da Avenida Faria Lima. Alguns pontos da calçada ganharam piso novo - que em vários trechos já estão quebrados. "Parece que foi tudo feito às pressas e de qualquer jeito", disse Ademilton Santos Costa, de 50 anos, gerente de uma loja de sapatos.

As obras começaram em agosto de 2007 e serão entregues em duas fases. A primeira - o entorno da Faria Lima - está prometida para até o fim de dezembro. Ela deve transformar a área em uma esplanada arborizada, que terminará na Rua Capri, onde haverá uma integração de um terminal de ônibus com a Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela do Metrô e a Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

"Se continuar no ritmo que está, nem na Copa de 2014 vai estar pronto", reclama o ambulante José Luis Carlos dos Santos, de 47 anos. "É uma obra que deveria trazer benefícios, mas só está causando transtornos. Não tem comerciante que aguente. Por causa da bagunça e do lixo, o movimento já caiu 50%", diz o gerente de um dos bares do Largo, que pediu para não ser identificado.

Lixo. Não há uma única lixeira em todo o largo. Passageiros que usam os pontos de ônibus do canteiro central da Faria Lima têm de desviar do lixo e dos buracos. No calçadão da Rua Cardeal Arcoverde alguns pisos já estão quebrados. E degraus entre o asfalto e a sarjeta atrapalham a circulação de cadeirantes.

O terreno atrás da entrada da Estação Faria Lima do Metrô - onde as Ruas Cardeal Arcoverde e Teodoro Sampaio cruzam a Avenida Faria Lima - virou estacionamento particular de carros dos lojistas do entorno e de policiais militares que trabalham na operação delegada. Diariamente, são mais de 30. A construção que deveria ser demolida continua em pé e atrai a atenção pelo monte de lixo ao redor. "O Largo da Batata virou um lugar feio, sujo, onde as pessoas evitam passar porque está uma bagunça", lamenta o gerente do bar.

CRONOLOGIA

2001

Projeto é assinado pelo arquiteto Tito Lívio

Agosto de 2007

Obra - orçada em R$ 67 milhões - é iniciada pela Prefeitura de São Paulo

Outubro de 2009

Prazo inicial para o término da reforma

2009

Valor do investimento salta para R$ 100 milhões e a Prefeitura estende o prazo para dezembro de 2010

Maio de 2010

Prefeitura divide obra em duas fases, com a conclusão total prevista para o fim do segundo semestre de 2011

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