Parada Gay perde verba e trios elétricos

Desfile, marcado para o dia 10 de junho na Avenida Paulista, terá cinco carros a menos e orçamento reduzido em R$ 120 mil

FABIANO NUNES, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2012 | 03h05

A 16.ª edição da Parada do Orgulho LGBT(Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), que ocorrerá no dia 10 de junho na Avenida Paulista, perdeu verba de patrocinadores em relação ao evento do ano passado. Neste ano, a organização receberá R$ 325 mil de patrocínio - R$ 120 mil a menos do que em 2011. O número de trios elétricos também diminuiu. Serão 12 ante 17 que desfilaram no ano passado.

A organização do evento alega que a dificuldade em arrecadar patrocínio acontece por causa do preconceito. "Infelizmente ainda temos muito preconceito enraizado no Brasil. Tivemos dificuldades com parcerias e patrocínios. Encaminhamos o projeto para muitas empresas. Mas seguidamente ouvimos a resposta de que não se enquadrava no perfil", explicou o advogado Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT.

Para o empresário Andre Fischer, criador do portal LGBT Mix Brasil, houve problemas na prestação de contas da parada nos últimos anos. "A organização não prestou contas direito nos últimos anos e isso tem afastado o patrocínio", apontou.

Mas o investimento da Prefeitura de São Paulo continua em torno de R$ 1 milhão. "A Prefeitura não transfere recursos para a Associação da Parada, mas apoia com infraestrutura", explicou Franco Reinaudo, da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual.

Além da administração pública, a organização teve patrocínio de três entidades: a Petrobrás investiu R$ 200 mil no evento, a Caixa Econômica Federal colaborou com R$ 100 mil e a União Geral dos Trabalhadores, com R$ 25 mil. "Por mais grandioso que a gente queira tornar o evento, o orçamento será este. Não temos sede própria", reclamou Quaresma.

Crime. O tema deste ano será Homofobia tem cura: Educação e criminalização. Os militantes usarão o desfile para cobrar do Congresso a aprovação do projeto que criminaliza a homofobia. Vão reivindicar também a distribuição dos kits anti-homofobia, que deixaram de ser distribuídos pelo Ministério da Educação após pressão da bancada evangélica.

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