Tiago Queiroz/Estadão
Evento de 2019, o último antes da pandemia de covid, reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista Tiago Queiroz/Estadão

Parada do Orgulho LGBT de SP retoma formato presencial e destaca importância do voto

A 26ª edição do evento, que ocorre no próximo domingo, terá apresentações de Pabllo Vittar, Luísa Sonza e mais, sob o tema 'Vote com orgulho: por uma política que representa'

João Ker, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2022 | 14h00

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo retorna às ruas na manhã do próximo domingo, 19, com 19 trios elétricos espalhados pela Avenida Paulista. O evento, conhecido como o maior deste tipo em todo o mundo, chega à sua 26ª edição após dois anos celebrando a comunidade de forma online, em razão da pandemia. A expectativa da organização é de que 3,5 milhões de pessoas compareçam à festa do arco-íris, que este ano alerta para a importância do voto, às vésperas das eleições 2022. 

Para Renato Viterbo, vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), o tema deste ano, “Vote com orgulho: por uma política que representa”, é uma chance de mostrar a importância do voto “para pessoas gerais”, de esquerda ou direita. “Essas são as políticas públicas que teremos para os próximos quatro anos. A intenção é votar em pessoas LGBTs e aliadas e que o público entenda o tanto que isso vai refletir também na sua família e no entorno”, afirma em entrevista ao Estadão

Viterbo também quer despertar a atenção da população LGBT+ mais jovem para as eleições deste ano, cuja participação considera “fundamental”. “Quando falo de direita ou esquerda, é porque a associação (APOLGBT-SP) não tem viés ideológico ou partidário, é suprapartidária”, observa. “Mas a ideia é mais de voto consciente, não pensar que só um ou outro está certo.”

Nos últimos aos, grande parte dos ativistas tem reclamado da postura do presidente Jair Bolsonaro, que já deu declarações consideradas homofóbicas e por não valorizar agendas ligadas à comunidade LGBT+. Em 2019, ele foi condenado por homofobia pela Justiça após ter dito em uma entrevista, em 2011, que “não corria o risco” de ter um filho gay porque foi um “pai presente” e seus filhos tiveram “boa educação”.

Entre os nomes com apresentações já confirmadas para a Parada do Orgulho LGBT+ deste ano estão Pabllo Vittar, Aretuza Lovi e Luísa Sonza, além de artistas independentes da comunidade LGBT+, como Ariah, o coletivo Quebrada Queer e Ana Dutra. O evento será transmitido online pelos canais oficiais da APOLGBT-SP.

Nesses 26 anos desde que colocou seu primeiro bloco na rua, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo aumentou de tamanho e chegou a entrar no Guinness como a maior do mundo. Nos últimos dois anos, entretanto, enfrentou críticas pelo formato virtual não dar espaço a ícones da comunidade que ajudaram a construir o movimento brasileiro desde o início, favorecendo os novos influenciadores digitais.

Segundo Viterbo, o elenco desses dois últimos anos foi contratado por uma marca parceira, cujo apoio não foi renovado para este ano. “Diferente daquele conteúdo engessado e meio que ‘programa de televisão’, essa Parada vai ser com público na rua, trios elétricos e duas pessoas conduzindo a cobertura no chão e no nosso estúdio. Queremos dar a dimensão do evento para quem não consegue vir de outros Estados.”

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Marcha do Orgulho Trans quer retomar o protagonismo político e social de transexuais e travestis

A 5ª edição do evento ocupa o Largo do Arouche nesta sexta-feira, 17; ‘Não vamos levantar bandeira partidária, mas estamos fazendo política’, diz idealizador

João Ker, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2022 | 14h00

Marcada para ocupar o Largo do Arouche a partir das 10h da próxima sexta-feira, 17, dois dias antes da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a 5ª edição da Marcha do Orgulho Trans pretende recobrar o protagonismo de travestis e transexuais. Por anos, a população transgênera se queixa que não tem espaço entre as outras letras da sigla e que suas demandas não recebem o mesmo nível de atenção que a de homens gays ou mulheres lésbicas. 

O movimento de “separar” os dois eventos com apenas dias de diferença entre um e outro não é novidade. Em São Paulo, a motivação por trás da Marcha do Orgulho Trans segue os mesmos princípios estabelecidos em outras capitais do mundo, como São Francisco, Londres e Nova York.

“Ela acontece na sexta antes da Parada porque é o mês do Orgulho LGBTQIAP+ e as pessoas conhecem a parada como ‘gay’. (A maioria) não fala LGBT, muito menos trans”, explica Pri Bertucci, idealizador e produtor executivo da Marcha do Orgulho Trans de São Paulo. “Há muito tempo a gente reivindica espaço, mas não existe.”

À frente dessa primeira incursão da “marca” Trans Pride no Brasil, que reuniu 5 mil pessoas na primeira edição, Pri acredita que a parada virou “um carnaval fora de época, com uma indústria de milhões e que não fala de direitos”. Ele também defende que há uma “percepção geral da comunidade” de que não existem pessoas trans pretas nesses eventos, um problema não só no Brasil, mas no mundo. “Fomos nós que botamos a cara a tapa pra esse mês realmente acontecer.”

Já Roberto Viterbo, vice-presidente da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, defende em entrevista ao Estadão que o evento sempre teve a presença de pessoas trans, desde a primeira vez que ele foi, em 1999. Também aponta que pautas como a Lei de Identidade de Gênero são defendidas pelos organizadores e que apoia instituições como o Casarão Brasil e a Casa Florescer, voltadas para o acolhimento da população transgênera.

“Elas sempre estiveram ali com a gente, a participação sempre aconteceu. Mas não fazemos isso com uma pessoa individual. Mas o que essas pessoas fizeram na pandemia, por exemplo, para ajudar?”, questiona Viterbo.

Algo com que as duas partes concordam, entretanto, é que a Parada nem a Marcha devem ser espaços necessariamente de política partidária, por mais que a maioria ou totalidade dos parlamentares associados aos dois eventos seja de esquerda. 

Enquanto Viterbo defende que o tema da Parada é por uma “política que representa, independente de ser esquerda ou direita”, Pri afirma que todos saímos perdendo “com a polaridade”. “Tudo é política. Política em ação e movimento é ter um trio na rua com homens trans pretos e travestis. A presença de parlamentares que estão mudando o cenário desse país”, aponta. 

“A marcha é apartidária. Não vamos levantar bandeira de partido político, mas estamos fazendo política”, completa Pri. Mas apesar de tudo, ele também diz estar cansado de ver tanta “briga interna” na comunidade. “Quem ganha com isso é só o próprio sistema de opressão. Precisamos chegar a um lugar único e encontrar o que temos de denominador comum.”

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