Para zerar déficit, aposta agora é alugar imóveis

A venda de terrenos em áreas nobres, em troca de creches na periferia, era a principal aposta da gestão Gilberto Kassab (PSD) para cumprir promessa eleitoral de zerar o déficit no ensino infantil. A aposta do prefeito agora é alugar imóveis em regiões carentes.

/ R.B., O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2012 | 03h01

"Estamos estudando um modelo para alugar casas e prédios para abrigar creches. A ideia é lançar edital ou chamamento público", afirmou o secretário Marcos Cintra. Essa estratégia já foi anunciada em 2009 pela Prefeitura, mas perdeu força.

Na avaliação da Prefeitura, o principal problema para diminuir a fila de creches é a lentidão do poder público em construir imóveis. Foi por isso que surgiu a tentativa de vender imóveis em troca de creches - dessa maneira, a iniciativa privada entregaria prédios prontos, em troca de um terreno em um bairro valorizado, construído em menos tempo do que a administração levaria. "Fazendo o aluguel, criamos uma forma de aproveitar a agilidade da iniciativa privada. Em vez de pagar com as áreas públicas, pagamos com um aluguel mensal", disse Cintra.

Desde o começo da gestão, o número de alunos matriculados em creches municipais cresceu 79% - passou de 109,7 mil em dezembro de 2008 para 196,3 mil em setembro de 2011, último dado divulgado pela Secretaria de Educação. O problema é que a fila cresceu em ritmo bem maior: 300%. Atualmente, existem 174,1 mil crianças esperando novas vagas, ante 57,6 mil no início do mandato. Integrantes da gestão Kassab já admitiram que esse déficit não deverá ser zerado até o fim do ano.

Entre as dificuldades está a recusa do Tribunal de Contas do Município em aprovar a Parceria Público-Privada que construiria 500 creches. Anunciada em 2007 por Kassab, a PPP acabou sendo deixada de lado.

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