'Para ter Expo, SP deve melhorar área social'

ENTREVISTA - Paolo Glisenti, consultor de eventos e organizador da campanha vencedora da cidade italiana de Milão para a Expo 2015

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2010 | 00h00

Tornar-se sede de uma Exposição Universal - ou Expo, como é mais conhecida - é caro, trabalhoso e requer longo planejamento. O consultor Paolo Glisenti entende bem disso. Ele foi o organizador da campanha vencedora da cidade italiana de Milão para a Expo 2015.

Nos últimos dias, esteve em São Paulo para prestar consultoria à Prefeitura. A Expo é uma das maiores feiras mundiais de negócios e turismo e ocorre a cada cinco anos. Dura seis meses e é famosa por atrair investidores e visitantes de várias partes do mundo. Em agosto de 2009, a Prefeitura informou a intenção de pôr São Paulo na disputa por 2020. Anteontem, anunciou que havia encomendado à Odebrecht um estudo para a construção de um centro de convenções em Pirituba - e, se vingar, a ideia do Piritubão, um estádio para 65 mil pessoas, voltado para a Copa-14. A pressa tem motivo: as inscrições para a Expo começam em 2011 e terminam seis meses após o registro da primeira candidatura.

Glisenti não nega que a Expo custa muito dinheiro. No caso de Milão, há previsão de poder público e iniciativa privada investirem juntos mais de 4 bilhões. No entanto, ele acredita que São Paulo tem muito a ganhar se for a escolhida.

O que os paulistanos podem esperar dessa candidatura?

Projetar São Paulo como protagonista do mundo globalizado deste século. A Expo é um grande evento e a cidade-sede ganha muito com isso.

O paulistano pode esperar melhorias de infraestrutura - no transporte, por exemplo?

Claro. A realização da Expo pressupõe várias melhorias para a sede, tanto em infraestrutura quanto no amadurecimento de políticas ambientais, melhoria na educação e no preparo profissional dos cidadãos. O essencial é que fique claro que tudo isso não é nada que a cidade não esteja planejando para seu futuro, como consta na Agenda 2012 da Prefeitura. A Expo será um forte elemento acelerador das mudanças a longo prazo que todo desejam.

Será como receber uma Copa ou a Olimpíada então?

Não necessariamente. Ao contrário da Olimpíada, os investimentos e melhorias não vão ficar circunscritos a uma região. A Expo tem a característica de disseminar investimentos e negócios por todas as regiões, tanto na fase de preparação quanto na realização do evento.

Por quê?

Isso acontece principalmente pelo alto investimento que se demanda em capacitação de mão de obra e educação. Ser sede da Expo requer trabalhadores qualificados. Serão criados cerca de 80 mil empregos.

O que a cidade precisa para receber a Expo?

Coisas bem amplas, como uma boa qualidade de vida, bons restaurantes, hotéis, facilidades de transporte, um cenário ambiental responsável. Mas vejo que todos esses objetivos já estão planejados na agenda que a Prefeitura preparou.

Entre esses itens, a quais devemos dar mais atenção?

Principalmente à parte social e à educação.

Em sua opinião, qual é a chance de a capital ser a escolhida?

São Paulo tem muita chance, mas a competição é forte também. Não dá para pensar que já está ganho, mas São Paulo é de fato forte competidora.

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