Para técnicos, reduzir pista de Congonhas é medida inócua

Novo presidente da Infraero estuda reduzir pista para construir área de escape

Bruno Tavares, Estadão

10 de agosto de 2007 | 09h50

Técnicos em aviação consideram desnecessário encurtar a pista principal do Aeroporto de Congonhas para a criação de uma área de escape. Embora a medida não inviabilize a operação dos aviões de médio porte - como os Airbus A320 e os Boeing 737-800 -, há alternativas mais eficazes para aumentar a segurança do aeroporto, palco da tragédia do vôo 3054 da TAM. O mais usual é o "sistema de contenção de aeronaves", que requer apenas 200 metros área livre. O conceito por trás desse sistema é muito simples. Primeiro, constrói-se uma espécie de piscina com diferentes níveis crescentes de profundidade. Em seguida, ela é preenchida por concreto poroso, que faz os trens de pouso "atolarem", freando o avião. "Esse material pode ser instalado na área de stop way (área de segurança vizinha às cabeceiras) de Congonhas, sem que se tenha de encurtar a pista", afirma o diretor de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins. O novo presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Sérgio Gaudenzi, admitiu na quinta-feira que estuda a idéia de os pilotos usarem uma área menor da pista principal para aterrissar no Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. A idéia é utilizar, por exemplo, só 1.600 dos 1.940 metros, deixando os outros 340 metros como área de escape. Consultor em sistemas aeronáuticos, Eno Siewerdt também criticou a proposta da Infraero. "Numa pista curta como a de Congonhas, criar apenas uma área de escape não muda nada. Pode ajudar a frenagem de alguns aviões, mas não evita acidentes como o da TAM, que varou a pista em alta velocidade", diz Siewerdt. "É uma decisão de leigos." Desde 2002, o Anexo 14 da Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, na sigla em inglês) recomenda a criação de áreas de escape nos aeroportos de todo o mundo. Entretanto, autoridades regionais de aviação dizem ser difícil seguir a recomendação em aeroportos mais antigos, como é o caso de Congonhas. Apesar disso, a maioria dos grandes aeroportos dos Estados Unidos - como o JFK, em Nova York, e o Midway, em Chicago - já conseguiram se adequar à legislação. Essa é uma sugestão que já foi apresentada pela Aeronáutica. A solução, na opinião de especialistas, poderia aumentar a segurança da pista. Gaudenzi admite a discussão sobre o assunto porque, na sua avaliação, Congonhas tem de ser submetido a uma rigorosa limitação de peso - o que permitiria encurtar a área de pouso. Gaudenzi participa no sábado de uma vistoria nos principais aeroportos de São Paulo, ao lado do ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ele disse que o Aeroporto de Viracopos (Campinas) será mais uma alternativa para os passageiros que estarão sendo transferidos de Congonhas para Guarulhos. Se preciso, pode ser instalado em Viracopos um terminal de passageiros com material pré-moldado. (Colaborou Tânia Monteiro, do Estadão)

Tudo o que sabemos sobre:
crise aéreaaeroportosCongonhas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.