Para ser legal, tuning deve seguir regras

Estabelecimentos credenciados pelo Inmetro precisam avaliar alterações no veículo e darem aval para Detran emitir documentação

O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h01

Há mais de dez anos, o mecânico de automóveis Carlos Tanaka, de 39 anos, resolveu dobrar a capacidade do motor de seu Chevrolet Chevette. Trocou várias peças, mas não fez nenhuma adaptação mecânica que melhorasse o sistema de freio do veículo. Tunado, o carro passou a atingir velocidade cada vez mais alta. A negligência, porém, provocou arrependimento após um acidente de trânsito.

Em um cruzamento na Rua Maria Amália Lopes de Azevedo, no Tremembé, zona norte de São Paulo, Tanaka chocou seu veículo contra outro ao perder o controle do volante. Não conseguiu frear. Resultado do tuning: passou mais de um ano em recuperação, teve coágulos no cérebro causados pela desaceleração brusca e até hoje tem dificuldade para falar e escrever. O acidente, porém, serviu de aprendizado. "Trabalho como mecânico, mas não instalo turbo no carro de ninguém", diz ele, que jamais voltou a dirigir um carro modificado.

Tanaka poderia ter alterado seu carro sem correr tanto risco. São passíveis de oficialização perante o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) ações como rebaixar a carroceria, aumentar a potência do motor, trocar de cor e mudar o sistema de iluminação ou de rodas.

Qualquer modificação precisa de autorização e, sobretudo, vistoria em estabelecimento credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). "As montadoras fazem projetos com dezenas de engenheiros, seguindo normas e especificações", afirma Edson Esteves, professor de Engenharia Mecânica da Fundação Educacional Inaciana (FEI).

Laudo. O Detran emite a autorização, a inspeção no veículo tunado é feita e, caso seja aprovada, é emitido laudo. O proprietário precisa então voltar ao departamento de trânsito e solicitar a inclusão da customização no documento do veículo. O processo demora um mês. O serviço custa em média R$ 600. / ARTHUR GUIMARÃES, ESPECIAL PARA O ESTADO

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