Para ser legal, tuning deve seguir regras

Estabelecimentos credenciados pelo Inmetro precisam avaliar alterações no veículo e darem aval para Detran emitir documentação

ARTHUR GUIMARÃES - ESPECIAL PARA O 'ESTADO',

25 Agosto 2012 | 20h49

Há mais de dez anos, o mecânico de automóveis Carlos Tanaka, de 39 anos, resolveu dobrar a capacidade do motor de seu Chevrolet Chevette. Trocou várias peças, mas não fez nenhuma adaptação mecânica que melhorasse o sistema de freio do veículo. Tunado, o carro passou a atingir velocidade cada vez mais alta. A negligência, porém, provocou arrependimento após um acidente de trânsito.

Em um cruzamento na Rua Maria Amália Lopes de Azevedo, no Tremembé, zona norte de São Paulo, Tanaka chocou seu veículo contra outro ao perder o controle do volante. Não conseguiu frear. Resultado do tuning: passou mais de um ano em recuperação, teve coágulos no cérebro causados pela desaceleração brusca e até hoje tem dificuldade para falar e escrever. O acidente, porém, serviu de aprendizado. “Trabalho como mecânico, mas não instalo turbo no carro de ninguém”, diz ele, que jamais voltou a dirigir um carro modificado.

 

Tanaka poderia ter alterado seu carro sem correr tanto risco. São passíveis de oficialização perante o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) ações como rebaixar a carroceria, aumentar a potência do motor, trocar de cor e mudar o sistema de iluminação ou de rodas.

Qualquer modificação precisa de autorização e, sobretudo, vistoria em estabelecimento credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). “As montadoras fazem projetos com dezenas de engenheiros, seguindo normas e especificações”, afirma Edson Esteves, professor de Engenharia Mecânica da Fundação Educacional Inaciana (FEI).

Laudo. O Detran emite a autorização, a inspeção no veículo tunado é feita e, caso seja aprovada, é emitido laudo. O proprietário precisa então voltar ao departamento de trânsito e solicitar a inclusão da customização no documento do veículo. O processo demora um mês. O serviço custa em média R$ 600.

Mesmo itens ‘inofensivos’ podem causar riscos

Mesmo acessórios considerados mais inofensivos podem ser perigosos quando adulterados. Luzes que ofuscam a visão, por exemplo, são outra moda comum em São Paulo. Feitos de xenônio, os faróis - que são são proibidos no Brasil caso não sejam originais de fábrica - normalmente têm tonalidade azul e custam em torno de R$ 250.

Outro item que pode trazer problemas é o DVD. No caso desse aparelho, a legislação é clara: é preciso instalar um dispositivo que bloqueie as telas postas na parte da frente do veículo quando o freio de mão não estiver puxado. O risco é de o motorista se distrair ao volante. Na região central da cidade, a trava, porém, é liberada por R$ 700. Existe então um pacto informal entre os envolvidos na comercialização: o vendedor joga a responsabilidade no comprador, que assume os riscos.

Já acessórios como porta-bicicletas e engates têm regras próprias - e basta segui-las para estar dentro da lei. No mercado de São Paulo, no entanto, nem isso é preciso. Nas ruas do centro, a reportagem encontrou, sem dificuldades, suporte para bicicletas que tampa as lanternas de freio e encobre parte da placa - duas condições vedadas pela legislação -, além de engates fora dos parâmetros solicitados pelos órgãos competentes de trânsito.

Flagrantes. Customização sem certificado oficial configura, no entanto, infração prevista por resoluções do Conselho Nacional de (Contran) e pelo Código de Trânsito Brasileiro. Segundo dados da Polícia Militar, 8.671 motoristas foram flagrados em 2010 no Estado de São Paulo com itens irregulares. No ano passado, esse número saltou para 10.234. Nos primeiros cinco meses de 2012, já foram 5.492 autuações. A multa vai de R$ 127,69 a R$ 191,54.

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