Para secretário, modelo atual está falido

Simão Pedro defende que telecentro não tenha só internet, pois jovem da periferia já tem acesso à rede em outros locais

Diego Zanchetta, Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2013 | 02h05

Quando os primeiros telecentros foram criados, ainda na gestão Marta Suplicy (2001-2004), poucos bairros da periferia de São Paulo tinham acesso à internet banda larga. Mesmo onde havia o serviço, o custo mensal era proibitivo e computadores ainda eram considerados itens de luxo. Hoje, mais de 60% dos domicílios paulistanos têm computador, segundo o Censo 2010, e há planos de internet banda larga por menos de R$ 30 por mês.

Para o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro (PT), essas mudanças são profundas o suficiente para que o antigo modelo dos telecentros - cujo objetivo era oferecer acesso grátis à internet e cursos de informática - seja declarado como "falido".

"O telecentro não pode ser só um espaço de internet. O jovem da periferia ou tem acesso ao computador em casa ou na escola ou tem uma lan house do lado cobrando um preço barato para o acesso para a internet. O modelo atual está falido", afirmou o secretário.

Dados mostram que, apesar do crescimento do número de telecentros na gestão Kassab, a demanda pelo serviço está bem abaixo da oferta. Em março, a média de frequência nos telecentros da cidade foi de apenas 8 mil pessoas. Considerando que existem 334 unidades e cada uma tem, em média, 20 computadores, é quase como se cada computador tivesse sido usado apenas uma vez durante todo o mês.

Por causa disso, Simão Pedro diz que o programa dos telecentros será reformulado. "Queremos que cada unidade tenha funcionalidades próprias. Eles podem ter projetos pedagógicos especiais, que usem o computador, investir em produção de conteúdo, em cultura digital ou em desenvolvimento de aplicativos.

O objetivo é que cada entidade que queira abrir um telecentro apresente um plano próprio e único de como ele funcionará. Assim, o telecentro do Capão Redondo não vai ser igual ao da Cidade Tiradentes, por exemplo, e cada um vai se adequar melhor às ONGs e entidades de cada local."

Wi-Fi. Com isso, o secretário acredita que o número de telecentros deverá diminuir. Essa mudança, em conjunto com a nova licitação para a empresa que vai gerir os contratos, deverá causar uma economia de cerca de R$ 20 milhões anuais. "É um dinheiro que vai ajudar bastante no projeto das 120 praças digitais com Wi-Fi que estamos fazendo", afirmou Simão, referindo-se ao plano da Prefeitura de levar internet sem fio gratuita a todos os distritos da cidade. A concorrência para a contratação dessa nova empresa deverá acontecer ainda no primeiro semestre, segundo o secretário.

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