Para Prefeitura, estudos vão servir no futuro Obra não sai na Pompeia

No sábado, sem licitação, a Secretaria Municipal de Saúde contratou o Instituto de Desenvolvimento Gerencial por R$ 278,6 mil para, durante três meses, fazer "prestação de serviços de consultoria técnica especializada em gestão de serviços e sistemas, objetivando a melhoria da saúde financeira da pasta". No mesmo dia, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano contratou, também sem licitação e por R$ 3,5 milhões, a Fundação de Apoio à USP, que vai prestar consultoria na elaboração dos estudos do plano estratégico SP 2040.

O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h05

Alguns estudos milionários feitos na atual gestão não têm previsão de sair do papel, como a construção de um túnel entre as Avenidas do Estado, Mercúrio e Cruzeiro do Sul. O projeto foi feito pelo escritório Maubertec, por R$ 10,1 milhões, e não tem previsão de ser licitado neste ano. Assim como o estudo que prevê um anel viário no entorno da Represa do Guarapiranga, cujo custo foi de R$ 2,6 milhões.

Recorde. O recorde de gasto com um estudo da Prefeitura - R$ 59 milhões - também foi feito pelo atual governo. É o da construção de um túnel de 2,7 km entre a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rodovia dos Imigrantes, na zona sul, e de uma avenida-parque sobre o mesmo túnel. Para iniciar as obras, porém, a Prefeitura precisa remover cerca de 10 mil famílias de 16 favelas da região do Brooklin.

A Prefeitura disse que vai prestar informações solicitadas pelo MP e que os contratos de consultoria respeitam a legislação vigente. O governo municipal argumenta que há projetos elaborados para longo prazo, que poderão ser usados em gestões futuras. A Prefeitura diz ainda que estudos também facilitam a captação de recursos do governo estadual e da União nos projetos de habitação - as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, só podem ser liberadas mediante a apresentação de estudo.

A Prefeitura gastou R$ 5,7 milhões desde 2007 com dois estudos que apontaram diferentes soluções para os históricos alagamentos na Pompeia, zona oeste. Levantamento feito em 2010 pelo Consórcio Maubercon, ao custo de R$ 4,7 milhões, apontou que os piscinões citados em estudo anterior de R$ 1 milhão, feito pela Walm Engenharia, não seriam suficientes para evitar enchentes na Rua Turiaçu. O estudo indicou que só uma nova galeria subterrânea poderia reduzir a força das águas do Córrego Água Preta. Mas a obra ainda está em licitação e o governo corre para começar a substituição das antigas galerias até o fim do ano.

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