Para polícia, roubo de obras na Pinacoteca foi encomendado

A polícia avisou o Centro de Operações da Polícia Civil (Cepol) e os aeroportos e portos sobre o crime

Camilla Haddad, Jornal da Tarde

13 de junho de 2008 | 09h16

A polícia de São Paulo acredita que o roubo ocorrido na quinta-feira, 12, de quatro obras de arte do acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky, expostas na Estação Pinacoteca, na Luz, tenha sido encomendado. O delegado Youssef Abou Chahin, diretor do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), afirmou que os criminosos sabiam nominalmente que obras levariam. A polícia avisou o Centro de Operações da Polícia Civil (Cepol) e os aeroportos e portos sobre o crime, com a finalidade de fechar o cerco contra os bandidos.   Veja também: Galeria com as telas roubadas pelo mundo  Vídeo com os momentos do roubo Há seis meses bandidos levaram obras do Masp Bandidos aproveitaram excursão escolar para levar obras Masp divulga nota de solidariedade Pinacoteca exibe obras da Fundação Nemirovsky 50 anos sem Lasar Segall, um lituano no Brasil   "Ao lado das telas que eles levaram havia obras mais caras", disse Chahin. "Não sabemos se as obras irão ficar no Brasil". A funcionária Wenna Moura disse que os criminosos perguntaram nominalmente pelas obras. Nesta sexta-feira, 13, as imagens de um segundo vídeo deverão ser divulgadas. As fitas mostram os criminosos desparafusando os quadros. Os funcionários da fundação que foram rendidos devem ajudar na identificação dos criminosos, segundo informações policiais.   Os assaltantes gastaram R$ 12 em ingressos para cometer o crime. Três criminosos entraram no museu (foram R$ 4 para cada entrada) enquanto um quarto teria ficado no lado de fora. O assalto aconteceu às 12h30 de quinta-feira, num dos quarteirões mais policiados da Capital. A ação durou 10 minutos e os criminosos saíram pela porta principal, no Largo General Osório. Foi o primeiro roubo registrado em um museu estadual paulista.Sem esconder o rosto, os criminosos levaram telas que, juntas, são avaliadas pela Secretaria estadual da Cultura em cerca de R$ 1 milhão. São duas obras do pintor Pablo Picasso - O pintor e seu modelo (1963) e Minotauro, bebedor e mulheres (1933) -, a gravura Casal (1919), de Lasar Segall, e o quadro Mulheres na janela (1926), de Di Cavalcanti. Elas integram o acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky e fazem parte do maior conjunto particular de arte moderna no Brasil. Estavam emprestadas por comodato (temporariamente) à Pinacoteca, que não tinha feito seguro contra roubo das obras. As imagens do trio foram gravadas pelo circuito interno do museu e analisadas pela Polícia Civil na quinta-feira. Dois retratos falados dos suspeitos foram divulgados. Um deles é mulato, e tem 1,70 m e aparenta 25 anos. O outro é negro, de 1,60 m. O terceiro deve ser concluído hoje. As mesmas pessoas tinham sido filmadas na semana passada observando as obras da Estação Pinacoteca , antigo prédio do Departamento de Ordem Polícia e Social (Dops), órgão da Ditadura Militar. O local fica a poucos quarteirões do Quartel General da PM, do Palácio da Polícia Civil e da base da Rota. As fitas entregues à polícia mostram dois assaltantes caminhando com as telas em duas sacolas brancas de pano. O crime aconteceu seis meses após o furto de dois quadros no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Chahin contou que os ladrões, um deles armado com uma pistola, subiram de elevador direto para o segundo andar. Lá, renderam três funcionários - dois eram vigias desarmados. Em seguida, fizeram uma atendente deitar no chão e a ameaçaram com a arma. Enquanto um criminoso ficou com a atendente e os vigias, os outros desparafusaram as obras da parede com chaves de fenda. Não havia visitantes na sala.

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