FPF/Divulgação
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Para polícia, possibilidade de jogador ter sido assassinado é 'remota'

Corpo de Lucas Jesus dos Santos, de 16 anos, foi encontrado na piscina da Portuguesa

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2016 | 17h55

A Polícia Civil de São Paulo considera "remota" a possibilidade de o jogador Lucas Jesus dos Santos, de 16 anos, ter sido vítima de homicídio. O corpo do atleta foi encontrado na manhã desta quinta-feira, 20, na piscina da Portuguesa, na zona norte da capital. O clube pode ser punido. 

O delegado Eder Pereira e Silva, titular do 12° Distrito Policial (Pari), responsável pelas investigações, afirma que não descartou nenhuma possibilidade e que os elementos não são suficientes para concluir se houve homicídio, afogamento ou morte natural. "Vamos saber o que aconteceu quando chegar o resultado do laudo do IML", diz.

Para os investigadores, no entanto, os indícios não são típicos de assassinato. Lucas não apresentava marcas de lesão, apenas um ferimento no dedão do pé - avaliado pelos policiais como natural para um jogador de futebol. Ao ser retirado, o corpo expeliu muita água pela boca, segundo investigadores.

A Polícia Civil tenta montar o quebra-cabeça da morte do jogador. O delegado Pereira e Silva afirma que uma funcionária do clube fez uma vistoria na piscina depois que jogadores saíram, por volta das 17h30 - quando, considerando o horário de verão, ainda estava claro - mas não encontrou o atleta. Nesse horário, Lucas já havia desaparecido.

O corpo só foi encontrado na manhã seguinte, após nova inspeção. Segundo a Polícia Civil, o cadáver estava em uma área da piscina onde a água estava turva e tinha profundidade de três metros.

Imagens de câmeras de segurança incluídas no inquérito mostram o momento em que Lucas, de sunga branca, caminha para área da piscina acompanhado dos amigos. Eram por volta das 14h30.

Os amigos sentiram falta de Lucas depois, quando foram tirar uma "selfie" na piscina, e começaram a procurá-lo. O avô do atleta também ligou para amigos atrás do neto que não havia chegado em casa. Ele não registrou boletim de ocorrência por desaparecimento.

Aos policiais, amigos do jogador disseram que chegaram a pensar que Lucas havia ido encontrar a namorada, uma estudante de 17 anos. Depois, eles voltaram para o alojamento do clube. Vizinho da Portuguesa, Lucas não usava essas instalações.

Durante a festa, os atletas fizeram uma competição de natação, mas Lucas não quis participar. Companheiros de clube afirmam que ele sabia nadar. A namorada, Aline Rosendo, de 17 anos, diz que não.

"Ele me disse que estava esperando o churrasco para sair da festa e que ia treinar no Serra Morena (clube de várzea) às 14h30", afirma a jovem. A última mensagem que ele enviou para ela no WhatsApp  foi às 13h45. Depois desse horário, ela ficou sem resposta.

"Fiquei desesperada, minha disse para eu ligar de manhã. Hoje liguei e nada", conta a estudante, que ficou sabendo da morte do namorado por amigas que enviaram imagens de reportagens. "Eu só queria ele de volta. Era um menino humilde, não fazia nada de errado. Não fumava, não bebia, não usava droga."

Segundo o delegado, não havia salva vida no clube na hora da festa. Questionado se a Portuguesa pode ser responsabilizada, ele respondeu que "dependia do andamento do inquérito policial". O advogado do clube esteve na delegacia, mas não quis falar com a reportagem.

Tio da vítima, o ajudante geral Marcondes Santos, de 34 anos, diz que o sobrinho era um "sonhador". "Eu tenho um primo ex-jogador, ele queria seguir o caminho dele", diz. Segundo Santos, Lucas se espelhava em Everaldo, ex-zagueiro e lateral esquerdo com passagem por Borussia Dortmund, da Alemanha, Atlético-MG, Palmeiras e Náutico, que se aposentou recentemente.

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