Para pesquisador, avanço do Estado reduziu mortes

Dados arqueológicos mostram que homicídios em sociedades sem governo sempre foram mais elevados

O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2013 | 02h04

Se os anarquistas acreditam que a autonomia individual e a autogestão podem ser uma solução política, um livro escrito pelo ex-diretor do Centro de Neurociência Cognitiva do Massachusetts Institute of Technology e atual professor de Harvard, Steven Pinker, tenta demonstrar que a história da humanidade desmente essa ideia.

As mais de mil páginas de Os Anjos Bons da Nossa Natureza (Companhia das Letras) mostram que a violência vive um constante processo de declínio desde as sociedades pré-históricas, passando pelos caçadores-coletores, até os dias de hoje.

Os números apontam que as médias de 26 sociedades sem Estado, como a de caçadores coletores, tinham aproximadamente até 1 mil homicídios por 100 mil habitantes. Haviam conflitos permanentes e constantes ciclos de vingança.

A criação dos Estados e dos sistemas penais proporcionou um contínuo declínio nesses números, levando a Europa contemporânea, por exemplo, a ter taxas próximas de 1 homicídio por 100 mil habitantes.

Os dados antigos foram colhidos por pesquisadores com base nos exames de ossadas em sítios arqueológicos e documentos históricos, contribuindo para refutar o mito do bom selvagem, do filósofo francês Jean Jacques Rousseau. O mundo seria mais fiel à descrição do pensador inglês Thomas Hobbes, que definiu o "homem como o lobo do homem". A civilização, nesse caso, e a ameaça de punição, levariam o ser humano a controlar impulsos violentos de forma mais efetiva.

Brasil e países da América Latina, ele argumenta, que ainda têm taxas elevadas de homicídios, continuariam violentos justamente pela fragilidade de seus Estados e pela conivência de seus integrantes com a violência. /B.P.M.

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