Para passageiros, metrô, ônibus e trens pioraram em 2011 na Grande SP

Pesquisa da Associação Nacional de Transportes Públicos também mostra que 73% reclamam de atitudes negativas de outros usuários

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h03

O transporte coletivo de São Paulo - incluindo metrô, trens e ônibus - piorou no ano passado, na opinião dos passageiros. Pesquisa anual da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) revela que até o metrô - considerado "excelente ou bom" por 74% dos entrevistados - continua a sofrer os efeitos da superlotação. Em 2009, esse número era dez pontos porcentuais maior.

"O Metrô sempre teve uma imagem de excelência, mas está sendo vítima do próprio sucesso. Quando tinha poucas linhas, era avaliado pelo serviço delas. Agora, há um embrião de rede. Mas a cidade precisa de mais do que isso", diz Rogério Belda, diretor da ANTP, destacando que o pior desempenho desde que a pesquisa passou a usar a atual metodologia, em 1999, tem a ver justamente com lotação e conforto.

Pela primeira vez, o Metrô também caiu para terceiro lugar na análise dos usuários. Agora, o posto de transporte coletivo com melhor avaliação passou para o Expresso Tiradentes, com 81% de aprovação. Em seguida, vem o Corredor Metropolitano São Mateus-Jabaquara, via exclusiva de ônibus entre a capital e o ABC, gerida pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), do governo do Estado, tal qual o Metrô, com 74%. Mas aqui vale uma ressalva: enquanto o Metrô já bateu a marca de 4 milhões de passageiros transportados por dia, o Expresso Tiradentes leva 80 mil e o Corredor Metropolitano, 250 mil.

Por sua vez, os ônibus administrados pela São Paulo Transporte (SPTrans), da Prefeitura, alcançaram só 40% nessa avaliação - no ano retrasado, 59% dos entrevistados consideravam o serviço bom ou excelente. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também foi aprovada por menos da metade das pessoas ouvidas: 48%, ante 54%.

A pesquisa avalia a imagem do transporte coletivo na Grande São Paulo. Ela foi encomendada à Toledo & Associados e feita em duas etapas, entre outubro e novembro: uma quantitativa e outra qualitativa, com 3.423 entrevistados.

Passageiro diário do Metrô, o operador de logística Henrique Volpe, de 25 anos, destaca a lotação em horários de pico como ponto extremamente negativo. "Os trens demoram e, quando chegam, às vezes vêm tão cheios e quentes que parecem sauna." Já o programador Daniel Oba, de 41, afirma ter notado que as paradas dos trens no meio dos túneis têm sido mais frequentes. A linha que ele usa mais vezes, a 1-Azul, foi a que registrou maior queda na avaliação nos últimos dois anos, segundo a ANTP, passando de 85% de aprovação para 73%. Apesar disso, a Linha 3-Vermelha segue com a pior avaliação entre as cinco da rede: 68% dos entrevistados a consideram excelente ou boa. A 4-Amarela, cuja primeira fase foi aberta integralmente no ano passado, teve o melhor desempenho, com 89%. Segundo a pesquisa, considerando todo o sistema de transporte público, apenas 18% consideram o serviço bom.

Educação. A pesquisa pela primeira vez avaliou o que os passageiros dizem de outros passageiros: 73% reclamaram de alguma atitude negativa das pessoas com quem compartilham o transporte (não dar preferência, não dar passagem etc). Também se avaliou o serviço dos metroviários: 36% flagraram casos de comportamento agressivo de funcionários do metrô.

Para quem usa transporte coletivo, dois fatores contribuem para situações de violência na rede: superlotação e falta de educação de parte dos usuários. Pela pesquisa da ANTP, o abalo emocional causado por essas situações "favorece o estresse coletivo", resultando em brigas, bate-bocas e vandalismo. "O usuário reconhece que os investimentos acontecem, mas admite essa situação de violência que está vivendo. O trajeto que ele vivencia hoje é incômodo. Ele presencia brigas e falta de educação", diz Maria Aparecida Toledo, coordenadora da pesquisa. "É preciso organizar o ambiente do transporte público."

Em nota, a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos informou que o índice do Metrô "é o maior de todos os meios de transporte coletivo avaliados pela pesquisa". Também destaca que o serviço "é bom, eficiente e tem tarifa mais barata do que o ônibus, o que, obviamente, atrai cada vez mais usuários". O texto diz que, em 2011, "o Metrô absorveu cerca de 1,3 milhão de novos passageiros" e as Estações República e Luz da Linha 4 fizeram com que 500 mil usuários fossem incorporados desde setembro. Segundo a estatal, isso "provocou reflexos em novembro", mês da pesquisa.

A nota afirma que "São Paulo é a única cidade no mundo ocidental que tem quatro obras de metrô em andamento", nas Linhas 2-Verde, 4-Amarela, 5-Lilás e 17-Ouro. Com elas, "a população vai reconhecer e aprovar a cada dia mais o sistema".

A SPTrans, por sua vez, informou que "trabalha ininterruptamente para oferecer um serviço da melhor qualidade aos usuários" e "foram criadas faixas exclusivas para ônibus em 2011 e alterados a sinalização e o tempo semafórico para aumentar a velocidade dos coletivos de 10% a 15%". Além disso, a frota de ônibus foi renovada em 80% desde 2005.

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