Para parar o motor que tem a vingança como combustível

Análise: Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2011 | 03h02

O quinto lugar no ranking de homicídios da América Latina, uma posição à frente do México, país que enfrenta graves conflitos relacionados ao narcotráfico, ajuda a levantar questões importantes sobre a dinâmica da violência no Brasil. A primeira é que o tráfico de drogas, apesar de contribuir para o aumento dos homicídios, não pode ser apontado como o bode expiatório.

No caso do Brasil, tanto em São Paulo como nas capitais Recife (PE), Salvador (BA) Maceió (AL) e Vitória (ES), campeãs brasileiros de violência, o cenário envolve desordem e principalmente incapacidade das instituições políticas e sociais desses lugares em punir e controlar os assassinatos. Como resultado, os homicídios se transformam em um meio para se tentar resolver problemas pessoais, estratégia que acaba se disseminando por meio de ciclos de violência, cujo motor gira tendo a vingança como combustível.

São Paulo conseguiu diminuir essas taxas ao implementar políticas públicas capazes de coibir as escolhas assassinas de pessoas que matavam por problemas banais. A retirada de grande quantidade de armas em circulação também permitiu reduzir a tensão.

São medidas que ajudaram a derrubar um mito sólido nos anos 1990, quando autoridades defendiam que a diminuição de homicídios era um processo que poderia demorar décadas. São Paulo, Nova York e cidade colombianas como Bogotá já mostraram que o assunto pode ser resolvido em poucos anos.

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