Para pai de acusado, foi apenas 'briga comum'

Responsável por um dos detidos diz que não houve homofobia; familiar do maior, porém, diz que filho tem pavio curto contra assédio homossexual

Cristiane Bomfim e Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

Enquanto familiares das vítimas falam em ataques covardes, os pais dos acusados defendem que tudo não passou de "uma grande confusão". Eles chegam a alegar que Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, e os quatro amigos menores teriam sido "assediados" - as vítimas negam.

O estudante Gabriel Alves Ferreira, de 21 anos, presenciou o espancamento do colega L.A.B., de 23, na altura do número 900 da Avenida Paulista. Ambos estudam jornalismo. Segundo ele, o ataque não teve motivo. "Eles passaram por nós, depois se viraram, chamaram o L. e atacaram com uma lâmpada fluorescente no rosto", disse. O rapaz caiu e continuou sendo atacado com socos e pontapés. "Eu e mais um colega ficamos em choque, não pudemos fazer nada. Tudo durou menos de dois minutos."

Os jovens voltavam do Glória, casa noturna na Bela Vista, e seguiam em direção a uma lanchonete na Alameda Joaquim Eugênio de Lima. A irmã da vítima, que se identificou como Jaqueline, disse que L.A.B. está muito machucado, com ferimentos em o rosto. "São filhinhos de papai que bateram no meu irmão."

A agressão a L.A.B. ocorreu alguns minutos depois de outros dois jovens terem sido atacados pelo grupo. Segundo a polícia, essa agressão teria sido um ato de homofobia. O jovem O.D.P. chegou a ser levado ao Hospital Oswaldo Cruz, onde foi medicado e liberado. "Agora ele está bem. São uns filhinhos de papai. Esses jovens que tem tudo e a cabeça vazia são um problema", lamentou a mãe, que negou que seu filho seja homossexual.

Confusão. O diretor de teatro Marcelo Costa, pai de um dos menores de 16 anos acusado de agressão, defende que o filho e os amigos participaram de "uma briga como outra qualquer" e nega ter havido atitude homofóbica. "Ele participou de um confusão. Acho que ele errou, sim, em se meter em briga. Mas não foi como estão falando", afirmou.

Segundo Costa, os jovens estavam chorando quando ele os encontrou na carceragem da delegacia, na manhã de ontem. "Quando entrei, meu filho me perguntou: "Pai, eu ia apanhar?"." Costa diz que o filho mora com a mãe na Bela Vista. Segundo ele, o garoto - que estuda em escola pública - nunca teria se envolvido em confusões.

O pai de outro menor, de 17 anos, alega que nem familiares nem advogados dos acusados viram os agredidos. "As supostas vítimas vieram pela manhã, falaram com a polícia sem a presença de um advogado do nosso grupo. E essa é a versão final", disse.

O advogado Alexandre Dias Afonso alega que os jovens teriam sido "assediados". "Parece que foi uma cantada um pouco agressiva. Mas nada que caracteriza roubo foi apresentado."

O pai de Jonathan, único maior preso, admitiu que o filho tem pavio curto. "É um menino muito bonito e foi assediado por homossexuais. Ele pediu para parar, eles não pararam. Aí, virou briga", disse Eliezer Domingues Lima.

CRONOLOGIA

Ataques sempre são em grupo

20/04/1997

Quatro jovens de classe média de Brasília atearam fogo em um índio pataxó, que morreu.

28/02/2006

Cinco alunos do Colégio Sion, em São Paulo, agrediram

um estudante de 15 anos do Mackenzie.

23/06/2007

No Rio, cinco jovens espancaram uma empregada doméstica após agredir prostitutas, lançar uma garrafa no carro de duas engenheiras e se envolver em brigas na mesma noite.

20/10/2007

Um estudante de 17 anos foi espancado por um grupo de 20 punks na Avenida Tiradentes, em São Paulo, sem motivo aparente.

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