Para ONU, polícias do Rio e de SP mataram 11 mil pessoas em 6 anos

RIO

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 00h00

O relator da Organização das Nações Unidas para Execuções Extrajudiciais, Philip Alston, atestou no relatório de 2010 que as execuções extrajudiciais no País continuam generalizadas e que o número de criminosos mortos em confronto com as polícias permanece inaceitável.

Segundo ele, entre 2003 e 2009, os policiais do Rio e de São Paulo mataram em serviço 11 mil pessoas. O relatório aponta que nenhuma das 33 recomendações anteriores foi cumprida integralmente pelas autoridades e classifica como "medonha" a situação dos cárceres no País.

Apesar das críticas, o relator elogiou os esforços no combate às milícias e aos esquadrões da morte. E destacou a Unidade de Polícia Pacificadora como uma estratégia para ser "amplamente louvada" por impedir o domínio dos traficantes e melhorar a relação entre moradores e polícia. Mas Alston considera a proibição de festas populares e bailes funk como "duro controle" sobre o cotidiano dos habitantes.

Para ele, a atuação dos esquadrões da morte em São Paulo é preocupante, por terem feito 97 vítimas em 2008 e 61 em 2009. O relatório cita o assassinato, em 2008, do coronel José Hermínio Rodrigues, que investigava os esquadrões. Alston elogiou a prisão de 14 policiais que decapitavam suas vítimas para dificultar a identificação.

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