Para o governo, houve só um 'problema de amostra'

Segundo ministra, dados ainda precisam ser mais analisados; secretária de Educação ainda fala em 'queda' de analfabetismo

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h04

A elevação no número de analfabetos mostrada pela PNAD foi tratada pelo governo como um problema de amostra. Escalada pelo governo para comentar os dados, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, nega que tenha havido um aumento na taxa de analfabetismo no País. "Os dados na verdade não permitem afirmar que houve ampliação. Acreditamos que é uma variação da amostra. É inclusive contra intuitivo, porque as taxas vêm caindo muito", afirmou a ministra em entrevista no Palácio do Palácio. "Não nos dedicamos ainda aos microdados da Pnad, vamos ter essa análise na segunda-feira, mas possivelmente é estável."

Na verdade, a queda do analfabetismo é um dos índices sociais com mais resistência a melhorias no País. Em cinco anos, de 2004 a 2009, a taxa caiu apenas 1,8 ponto porcentual. De 2009 até 2012 reduziu 1 ponto.

A secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Macaé dos Santos, explica que ainda não é possível fazer uma avaliação, especialmente porque apenas as faixas etárias de 40 a 59 anos tiveram aumento da taxa de analfabetismo, enquanto as demais tiveram redução e entre os jovens de 15 a 19, ficou estável. "A tendência é de queda. Outros dados importantes, como a redução do analfabetismo funcional, o aumento da escolaridade, da população com ensino superior e ensino médio completo, mostram outra situação. É um dado completamente diferente", afirmou.

Ainda assim, a secretária afirma que o MEC vai analisar os microdados da PNAD - os números mais detalhados - para ver o que significa esse aumento. "Vamos ver se alguma reorganização é necessária nos programas", disse.

Tereza Campello preferiu se concentrar nos dados positivos do levantamento, exaltando a queda no desemprego e o aumento da renda em todas as regiões (mais informações nas páginas seguintes). A ministra negou também que tenha havido um aumento na desigualdade no País, apesar do aumento da renda dos mais ricos ter sido um pouco maior do que a dos mais pobres. "Não tem aumento da desigualdade no Brasil. A gente teve uma redução muito grande na desigualdade. Teve agora uma desaceleração do processo, mas a desigualdade continua caindo."

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