Para o governo de SP, ficou um gosto de derrota

Bastidores: Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h06

No fim de junho, o secretário de Segurança, Antônio Ferreira Pinto, trocou um telefonema com o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, para recebê-lo para uma conversa informal. Ambos acreditavam ter intimidade suficiente para um bate-papo que pudesse estreitar o trabalho entre os grupos de segurança estadual e federal.

Desse encontro, iniciou-se uma série de disputas anunciadas pelas páginas dos jornais que acabou causando constrangimento de ambos os lados. Na tarde de ontem, quando o ministro da Justiça foi recebido no Palácio dos Bandeirantes para anunciar o acordo em meio à crise de segurança em São Paulo, a sensação de integrantes do governo paulista era de um gosto amargo de derrota. "Ele chegou como salvador da Pátria, depois de dar facadas nas costas", disse um integrante da equipe de segurança paulista.

Apesar da tentativa de colocar panos quentes nas rusgas entre Estado e União, a avaliação é de que a estratégia do governo federal e do Ministério da Justiça já vislumbrava a disputa para o governo estadual em 2014, onde o ministro José Eduardo Martins Cardozo surge como um virtual candidato à concorrer contra uma eventual candidatura à reeleição de Geraldo Alckmin.

Houve, no entanto, recuos para melhorar o clima. A proposta que mais havia irritado o governo paulista foi a oferta da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) para que homens do Exército e da Força Nacional fossem usados para ocupar a Favela de Paraisópolis, nos moldes da parceria com o Rio de Janeiro para a ocupação do Complexo do Alemão. A aresta foi aparada nas conversas de ontem. O ministro da Justiça negou prontamente o envio de homens do Exército, afirmando que as Polícias Militares e Civil de São Paulo dão conta do recado.

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