Para meteorologista, tempestade foi causada por ‘microexplosão’

Para meteorologista, tempestade foi causada por ‘microexplosão’

Fenômeno raro verificado empurra o vento na direção do solo, a partir da base das nuvens, e pode produzir rajadas de até 80 km/h

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A tempestade com rajadas de vento de mais de 50 km/h que atingiu a capital paulista e a região metropolitana na segunda-feira, 16, deixando dois mortos e ao menos oito feridos, foi provocada por um fenômeno raro chamado de microexplosão, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura. De acordo com o engenheiro Hassan Barakat, meteorologista-chefe do CGE, o fenômeno empurra o vento violentamente em direção ao solo, a partir da base das nuvens, e pode produzir rajadas de até 80 km/h.

Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Marcelo Schneider, a microexplosão forma-se nas típicas nuvens de tempestades chamadas cúmulos-nimbos, que se estendem verticalmente por mais de 12 quilômetros. “Dentro da nuvem há correntes subindo e descendo. Quando uma corrente desce trazendo granizo e gotas de água, eventualmente ela encontra, na parte mais baixa, um bolsão de ar frio menos saturado, produzido pelo encontro da nuvem com massas de ar mais quente. Quando passa por esse bolsão, o ar descendente da nuvem esfria ainda mais e fica mais pesado, precipitando-se com violência”, explicou Schneider.

Segundo o meteorologista, o fenômeno também teve influência de um ciclone extratropical que se formou no Oceano Atlântico, trazendo uma massa de ar frio ao litoral. “Embora a cidade esteja distante, o prolongamento da área de baixa pressão em que ele estava se estendeu até São Paulo, intensificando a instabilidade.”

A microexplosão é o mesmo fenômeno verificado em 29 de dezembro de 2014, quando 286 árvores caíram em vários pontos da capital, o maior número registrado na história. Entre segunda-feira e esta terça-feira, 17, ao menos 189 árvores caíram em toda a região metropolitana.

Segundo o Corpo de Bombeiros, 42 novas ocorrências envolvendo árvores eram atendidas por volta das 10 horas. No domingo, também foi verificada a ocorrência de microexplosões em cidades do interior de Santa Catarina. No entanto, Schneider diz que não é possível afirmar que a frequência do fenômeno está aumentando. 

Comum. Para Maicon Weber, meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, os estragos não foram causados necessariamente por uma microexplosão. “Esse tipo de rajadas com granizo é comum quando uma frente fria forte se aproxima e traz, em sua dianteira, uma massa de ar mais quente e úmida. Tivemos esse cenário. Mas pontualmente pode ter acontecido uma microexplosão”, disse. 

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