Divulgação/Polícia Civil
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Para juiz, policial preso por tortura fez ‘perversidade’

De acordo com as investigações, antes de chegar à delegacia, suspeito foi agredido com socos, chutes e recebeu choques 

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - No despacho que determinou a prisão preventiva do sargento Charles Otaga, acusado de torturar um assaltante, o juiz Claudio Juliano Filho considerou que o PM “demonstrou particular perversidade” ao praticar o crime. 

A equipe de Otaga prendeu Afonso de Carvalho Oliveira Trudes, de 23 anos, depois que ele e um comparsa roubaram R$ 60 e um celular em uma loja de sapatos em Itaquera, na zona leste da capital. Segundo as investigações, antes de chegar à delegacia, o suspeito foi agredido com socos, chutes e recebeu “choques elétricos nas partes íntimas”.

O magistrado acrescenta que “a manutenção em cárcere provém da periculosidade do agente, demonstrada concretamente”. Na audiência, a promotora Yoon Jung Kim Panelli foi contra a prisão do policial, pois não haveria provas de que ele teria torturado o assaltante.

Briga. Depois que o delegado Raphael Zanon deu voz de prisão ao sargento Otaga, o 103.º Distrito Policial foi cercado por PMs de outros batalhões que foram defender o sargento.

Houve discussão, e agentes da Polícia Civil do Grupo de Operações Especiais (GOE) foram acionados para dar proteção ao delegado.

Dois deputados estaduais, coronel Telhada (PSDB) e delegado Olim (PP), também estiveram na delegacia. Cada um defendeu a posição da sua respectiva corporação. O secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, disse nesta quinta-feira, 22, que não houve confusão entre as polícias, mas entre os parlamentares que foram até a delegacia.

O deputado Olim negou qualquer confusão com o colega. Mas criticou o secretário. “Houve cenas lamentáveis na porta da delegacia porque, hoje, a polícia não tem comando.”

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública não comentou as declarações do deputado.

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