Para Haddad, elite de SP tem 'pobreza espiritual'

Prefeito afirma que 'miopia' do poder econômico impede medidas para aumentar a capacidade de investimento do Município

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 02h03

O prefeito Fernando Haddad (PT) classificou a elite econômica de São Paulo como "míope", que tem uma "pobreza espiritual", por não concordar com medidas que recuperem a capacidade de investimento do Município. As declarações foram feitas em entrevista publicada ontem no site da BBC Brasil.

As afirmações foram feitas quando o prefeito foi questionado sobre a dívida pública da cidade, hoje em torno de R$ 59 bilhões. "A elite de São Paulo é muito conservadora, a começar pelos meios de comunicação", disse. "Nós estamos vivendo uma crise financeira. Nunca tivemos tão pouca capacidade de investir. Medidas para recuperar a capacidade de investimento da cidade são impopulares", disse, sem citar diretamente a tentativa de aumentar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que foi barrada na Justiça por uma ação movida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O prefeito afirmou que, caso a capacidade de investimento fosse recuperada, São Paulo "pode se transformar em uma Xangai (China), se quiser". (A cidade) Tem todos os instrumentos. Não há nenhuma cidade comparável a São Paulo no Brasil. Nós respondemos por 12% do PIB (Produto Interno Bruto). Então, nós estamos com uma riqueza privada enorme e uma pobreza de capacidade pública", afirmou Haddad. "Mas essa miopia do poder econômico local vai ser desfeita com o tempo. Nós precisamos insistir e educar a elite econômica da cidade a olhar a cidade com outros olhos."

Ao ser lembrado que a elite paulistana já contribuiu, no passado, com a formação do Masp, por exemplo, Haddad fez uma avaliação crítica. "Essa (elite) é do passado. Hoje, infelizmente, nós temos um poder econômico amesquinhado e empobrecido do ponto de vista espiritual, mas muito rico do ponto de vista material."

Promessa. Na entrevista, concedida em seu gabinete, Haddad também reafirmou a promessa de campanha de criação do Arco do Futuro - um conjunto de medidas para revitalizar as regiões às margens dos Rios Pinheiros e Tietê, além de parte da zona leste da cidade. "O último desenho da cidade é dos anos 1930, de Prestes Maia. Vamos entregar um novo desenho, para os próximos 30, 5o anos", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.